{"id":2094,"date":"2013-04-18T16:31:41","date_gmt":"2013-04-18T16:31:41","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=2094"},"modified":"2013-04-19T00:33:36","modified_gmt":"2013-04-19T00:33:36","slug":"travessias-arte-mare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2094","title":{"rendered":"Travessias-Arte-Mar\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>A \u00a0exposi\u00e7\u00e3o\u00a0Travessias 2 \u2013 Arte Contempor\u00e2nea na Mar\u00e9\u00a0come\u00e7ou s\u00e1bado com muita festa, gente e chuva. A curadoria \u00e9 minha e do Felipe Scovino e os artistas s\u00e3o: Arjan Martins,\u00a0Cadu,\u00a0Carlos Vergara, Daniel Senise, Ernesto Neto, Lucas Bambozzi, Luiza Baldan, Marcelo Silveira, Rat\u00e3o Diniz e\u00a0Vik Muniz. <a href=\"http:\/\/2013.travessias.org.br\/\">O site est\u00e1 no ar<\/a>\u00a0cheio de fotos, videos, textos e informa\u00e7\u00f5es. E tem tamb\u00e9m Instagram, Blog, Twitter, Facebook e Youtube. Visitem, apare\u00e7am, divulguem. A exposi\u00e7\u00e3o fica em cartaz at\u00e9 23 de junho. Abaixo segue o texto q escrevi com Scovino.<\/p>\n<div id=\"attachment_2095\" style=\"width: 651px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/travessias_foto14.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2095\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2095\" alt=\"travessias_foto14\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/travessias_foto14.jpg\" width=\"641\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/travessias_foto14.jpg 641w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/travessias_foto14-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/travessias_foto14-600x898.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2095\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Magalh\u00e3es\/14<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Travessias-Arte-Mar\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O Rio de Janeiro passa hoje por grandes mudan\u00e7as urban\u00edsticas, arquitet\u00f4nicas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais. Na verdade, toda grande cidade do mundo est\u00e1 sempre em permanente transforma\u00e7\u00e3o, redefinindo suas fronteiras, reinventando-se a cada dia. Mas h\u00e1 uma singularidade na transforma\u00e7\u00e3o que o Rio vive nesse momento, ela se d\u00e1 em sintonia e simultaneidade com outras duas grandes mudan\u00e7as planet\u00e1rias: o surgimento de uma nova sensibilidade humana decorrente das recentes formas de comunica\u00e7\u00e3o e vida digital; e um novo desenho mundial com as na\u00e7\u00f5es emergentes mais fortalecidas.<\/p>\n<p>O Rio hoje cresce dentro do seu pr\u00f3prio tamanho, sem empurrar suas fronteiras, apenas reinventando o pr\u00f3prio territ\u00f3rio, cresce na cabe\u00e7a e na estima do cidad\u00e3o. Um dos tra\u00e7os importantes dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o movimento da cidade caminhando definitivamente para al\u00e9m da zona sul. O carioca pouco a pouco abandona o velho clich\u00ea tacanho e come\u00e7a a perceber que a cidade \u00e9 muito maior do que os bairros que beiram a praia. Novas regi\u00f5es renascem e passam a ser compartilhadas pela popula\u00e7\u00e3o local e pelos visitantes. E \u00e9 nesse momento de conc\u00edlio com a cidade, de di\u00e1logo entre distintas forma\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, de conviver e entender as diferen\u00e7as do outro, que a exposi\u00e7\u00e3o Travessias 2 \u2013 Arte Contempor\u00e2nea na Mar\u00e9 se coloca.<\/p>\n<p>As perguntas que pairam no ar s\u00e3o: como viver em um mundo regido por diferen\u00e7as, e qual o papel do artista nessa cidade que muda vertiginosamente?<\/p>\n<p>Um ponto fundamental da exposi\u00e7\u00e3o Travessias 2 \u00e9 o seu car\u00e1ter educativo, pois acreditamos que a alian\u00e7a entre educa\u00e7\u00e3o e cultura s\u00e3o pontos-chaves para a mudan\u00e7a social e pol\u00edtica de qualquer sociedade.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o dos artistas se d\u00e1 pela qualidade de suas obras, pelo impacto visual e, mais do que isso, pelo poder de transforma\u00e7\u00e3o do olhar que elas revelam. Est\u00e3o reunidas as novas pesquisas sobre a amplia\u00e7\u00e3o da pintura (nas obras de Daniel Senise e Carlos Vergara) ou como este suporte se alia a um lirismo que revela a precis\u00e3o dos gestos do artista e de seu olhar po\u00e9tico sobre cenas fotogr\u00e1ficas colecionadas ao acaso (como nas obras de Arjan Martins). H\u00e1 ainda a escultura que se lan\u00e7a ao espa\u00e7o com um sentido de experimenta\u00e7\u00e3o (nas obras de Cadu e Ernesto Neto), a apropria\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o da fotografia (Vik Muniz) e o modo como o uso documental dela \u00e9 explorado pelos artistas visuais (nas obras de Luiza Baldan e Rat\u00e3o Diniz) ou como ela se relaciona com a escultura (no caso de Marcelo Silveira), ou ainda a apropria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e pol\u00edtica (nos v\u00eddeos de Lucas Bambozzi).<\/p>\n<p>Essas obras se encontram aqui em torno da ideia de transforma\u00e7\u00e3o, de uma cidade em tr\u00e2nsito. Sejam nas pequenas caixas\/maquetes que ampliam a dimens\u00e3o de salas e obras de importantes museus realizadas por Senise; nos aeromodelos de montar que Cadu subverte em sua pr\u00e1tica escult\u00f3rica; na obra mole de Neto que cria uma rela\u00e7\u00e3o entre corpo, ritmo e m\u00fasica, alargando o conceito de escultura e criando um ambiente que \u00e9 regido pela \u201cpele\u201d e pelo som; ou nas colagens em formato lambe-lambe na obra de Silveira, compondo uma paisagem ou relevo de um territ\u00f3rio e mem\u00f3rias fict\u00edcias. A exuber\u00e2ncia visual das obras de Vik Muniz atraem o espectador como num jogo de erros, h\u00e1 um embaralhamento e sobreposi\u00e7\u00e3o de recortes de revistas formando uma segunda imagem que se constr\u00f3i e desconstr\u00f3i \u00e0 medida que nos aproximamos ou afastamos das obras. Vergara decalca a cidade e faz dela um signo de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Suas monotipias asseguram a perman\u00eancia daquele lugar atrav\u00e9s do tempo, nos fazem perceber n\u00e3o apenas a amplia\u00e7\u00e3o o que pode ser chamado de pintura, mas aliam esse suporte a uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a pr\u00f3pria mem\u00f3ria do lugar. Baldan, Bambozzi e Rat\u00e3o documentam, cada um a seu modo e por meio de distintos suportes, os ind\u00edcios de uma cidade e de seus personagens que se reconstroem a cada instante. Nas obras desses tr\u00eas artistas, h\u00e1 uma proximidade entre o que est\u00e1 sendo visto e quem o v\u00ea, sem uma apela\u00e7\u00e3o ao clich\u00ea. \u00c9 uma aproxima\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 pelo afeto, pelo reconhecimento \u2013 em especial nas fotos de Baldan e de Multid\u00e3o, de Bambozzi \u2013, e n\u00e3o porque ambos est\u00e3o em um estado de car\u00eancia ou abandono (imagem e visitante). S\u00e3o obras celebrat\u00f3rias, definitivamente.<\/p>\n<p>Dialogar e compreender o desconhecido ou o diferente na arte (as primeiras perguntas que fazemos quando estamos diante de uma obra de arte geralmente s\u00e3o: o que \u00e9 isto? Para que serve?) \u00e9 deslocar essa mesma rela\u00e7\u00e3o para a nossa vida e, mais do que isso, compreender que aquele di\u00e1logo com o diferente pode moldar o nosso olhar e a nossa alma. Uma condi\u00e7\u00e3o, por sua vez, que pode ser levada para qualquer rela\u00e7\u00e3o interpessoal. Mais uma vez se coloca a quest\u00e3o: como compreender ou dialogar com aquilo que \u2013 aparentemente \u2013 \u00e9 t\u00e3o diferente de n\u00f3s? Respondemos a esta pergunta com outra: mas n\u00e3o \u00e9 exatamente isso o que passamos em todos os momentos da nossa vida? A arte quer preencher esse intervalo, possibilitar ao espectador uma vis\u00e3o ampla e democr\u00e1tica sobre o mundo, e fundamentalmente deixar claro que a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 ruim, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 ela que possibilita a riqueza e a diversidade da nossa cultura e cidadania.<\/p>\n<p>Travessias 2 \u2013 Arte Contempor\u00e2nea na Mar\u00e9 \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o que cria, desta forma, uma correspond\u00eancia com novos sentimentos que atravessam a cidade: reinven\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o. As obras de arte aqui reunidas atuam na forma\u00e7\u00e3o de um novo cidad\u00e3o\/espectador conectado com a descoberta das fronteiras m\u00f3veis da cidade. O papel dos artistas hoje \u00e9 tornar aparente a escala do mundo e seus fluxos que crescem sem parar.<\/p>\n<p>Felipe Scovino e Raul Mour\u00e3o<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2094\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00a0exposi\u00e7\u00e3o\u00a0Travessias 2 \u2013 Arte Contempor\u00e2nea na Mar\u00e9\u00a0come\u00e7ou s\u00e1bado com muita festa, gente e chuva. A curadoria \u00e9 minha e do Felipe Scovino e os artistas s\u00e3o: Arjan Martins,\u00a0Cadu,\u00a0Carlos Vergara, Daniel Senise, Ernesto Neto, Lucas Bambozzi, Luiza Baldan, Marcelo Silveira, Rat\u00e3o Diniz e\u00a0Vik Muniz. 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