{"id":2016,"date":"2013-03-21T00:18:21","date_gmt":"2013-03-21T00:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=2016"},"modified":"2013-03-21T05:31:32","modified_gmt":"2013-03-21T05:31:32","slug":"fc-5-barnbilonia-ou-ho-em-ny-primeiras-anotacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2016","title":{"rendered":"FC\/RIO #5 \u2013 Barnbil\u00f4nia ou HO em NY \u2013 Primeiras Anota\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Enviei email ontem aos correspondentes aqui do b\u00aeog (FC RIO + JC\/LA\/CA + MC LDN) solicitando novos textos e uma participa\u00e7\u00e3o mais frequente. Frederico Coelho prontamente atendeu o chamado e nos enviou suas anota\u00e7\u00f5es sobre H.O. (Na barra lateral direita do b\u00aeog tem uma apresenta\u00e7\u00e3o do Fred pra quem ainda n\u00e3o conhece a figura)<\/p>\n<h3>Barnbil\u00f4nia ou HO em NY \u2013 Primeiras Anota\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de Oiticica com Nova Iorque come\u00e7a em uma breve visita durante o ano de 1969, quando ele e Lygia Clark voltavam de um semin\u00e1rio sobre BodyArt em Los Angeles. H\u00e9lio visita alguns amigos que j\u00e1 moravam na cidade, como Rubens Gerchman. Na sua visita ao loft em que o pintor carioca morava, conhece os cr\u00edticos Roberto Schwarz e Silviano Santiago, de quem se tornaria grande amigo nos anos seguintes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Info.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2018\" alt=\"Info\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Info.jpg\" width=\"460\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Info.jpg 460w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Info-230x300.jpg 230w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1970, Oiticica participa ao lado de Cildo Meireles e Guilherme Vaz da famosa coletiva internacional <i>Information<\/i>, realizada no MoMA. Envia seus <i>Ninhos<\/i>, trabalhos fundamentais para sua trajet\u00f3ria e que estavam presentes na sua primeira e \u00fanica grande individual na Whitechapel Gallery.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/081.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-2019\" alt=\"08\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/081-1024x653.jpg\" width=\"545\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/081-1024x653.jpg 1024w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/081-300x191.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/081-600x382.jpg 600w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/081.jpg 1234w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No mesmo ano, recebe uma bolsa da Funda\u00e7\u00e3o Guggenheim para morar em NY e executar trabalhos durante dois anos. Fica sete, ou seja, cinco anos sem visto permanente e, de certa forma, ilegal. Faz milhares de projetos, maquetes, proposi\u00e7\u00f5es, textos, filmes, mas n\u00e3o apresenta nenhuma obra para a Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Janeiro de 1971 j\u00e1 se encontra habitando o seu primeiro apartamento na cidade, o Loft 4 da Second Avenue com 8th Street. Anos depois, por volta de 1974, ele sofre um assalto e se muda para outro apartamento, na Christopher Street, cora\u00e7\u00e3o do Greenwich Village. Nos sete anos que mora na cidade, Oiticica n\u00e3o foi a nenhum outro pa\u00eds ou at\u00e9 mesmo a outro estado norte-americano. Tamb\u00e9m n\u00e3o voltou um dia sequer ao Brasil. Apenas em janeiro de 1978 ele volta ao Rio para morar no Leblon, primeiro na Carlos G\u00f3is e depois na Ataulfo de Paiva, endere\u00e7o em que falece em 1980, v\u00edtima de derrame.<\/p>\n<p>A vida profissional de Oiticica em Nova York tem como epicentro uma massa gigantesca de escritos e documentos deixados por ele em seu arquivo. Entre 1971 e 1978, ele escreveu incessantemente em cadernos, fichas, folhas avulsas, tirou fotos, gravou sons, filmou ruas e ideias, bolou livros, filmes, obras e trabalhos grandiosos. Qualquer pesquisa sobre sua obra ser\u00e1 sempre baseada nessa documenta\u00e7\u00e3o que Oiticica nos legou. Documentos que apontam para a presen\u00e7a das ruas e vidas que circulavam por Manhattan (ao menos pela Manhattan de Oiticica). Neles, podemos ler a sua permanente reflex\u00e3o sobre o <b>Espa\u00e7o<\/b> como um dos conceitos definidores de sua obra.<\/p>\n<p>Oiticica tra\u00e7ou alguns eixos de circula\u00e7\u00e3o por Manhattan. Tinha em suas andan\u00e7as seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. N\u00e3o que deixasse de andar por toda a Ilha, mas ele teve rela\u00e7\u00f5es mais org\u00e2nicas com certos espa\u00e7os. Um deles, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o marginal de sua biografia, eram os mergulhos nos bairros do Harlem e do Bronx. Lembremos que a Manhattan de Oiticica n\u00e3o \u00e9 a cidade mundial perfeita, segura, plena de servi\u00e7os, arte, mercado e entretenimento na medida certa para tudo e todos. Em 1971\/1977 Manhattan era uma ilha in\u00f3spita, falida, segregada e plena de barris de p\u00f3lvora, grupos de estrangeiros guetificados, gangues, tr\u00e1fico de drogas e perda de relev\u00e2ncia pol\u00edtica dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/013.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-2020\" alt=\"013\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/013-1024x664.jpg\" width=\"545\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/013-1024x664.jpg 1024w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/013-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/013-600x389.jpg 600w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/013.jpg 1212w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Circular pelo Harlem e pelo Bronx no per\u00edodo de Oiticica, portanto, era como circular no eixo-Favela da Mangueira-Morro dos Macacos durante os anos 1960 no Rio de Janeiro. Foi l\u00e1 nessas regi\u00f5es da ilha que ele tirou fotos famosas, promovendo experimentos com seus Parangol\u00e9s. L\u00e1 tamb\u00e9m viu o nascimento do grafite e da arte urbana, conheceu os grupos de poetas negros como Last Poets ou o grupo de porto-riquenhos chamados Young Lords.<\/p>\n<p>Oiticica, por uma quest\u00e3o tamb\u00e9m ligada ao seu universo sexual, conhecia jovens que viviam o submundo da cidade. Seu envolvimento com o tr\u00e1fico de drogas local devido ao uso pessoal constante de coca\u00edna durante alguns anos potencializava essas circula\u00e7\u00f5es outsiders pelos lados n\u00e3o-brancos da cidade. No final das contas, ele tamb\u00e9m era um estrangeiro, um latino, um imigrante ilegal como todos os outros.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/maxs-kansas-city-outdoors1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-2022\" alt=\"maxs-kansas-city-outdoors1\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/maxs-kansas-city-outdoors1.jpg\" width=\"720\" height=\"665\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/maxs-kansas-city-outdoors1.jpg 800w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/maxs-kansas-city-outdoors1-300x277.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/maxs-kansas-city-outdoors1-600x554.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Outra Manhattan de Oiticica tamb\u00e9m transitava por uma cidade fronteiri\u00e7a, a parte gay e, chamemos assim, alternativa do Downtown. Era por esse espa\u00e7o da cidade, entre o SoHo e a 14th Street, que pessoas t\u00e3o variadas e brilhantes como Andy Warhol, Lou Reed, o cineasta Jackie Smith, Philip Glass, Candy Darling, Patti Smith, Robert Mapplethorpe, Mario Montez, Keith Harring, Chuck Close, Arto Lindsay, os atores do Living Theater ou bandas como New York Dolls, Television e Ramones trabalhavam, almo\u00e7avam, bebiam e criavam. Era o local de bares famosos como o Max Kansas City, das novas galerias, dos imensos Lofts doados de gra\u00e7a pela Prefeitura de Nova York para a ocupa\u00e7\u00e3o de artistas como Richard Serra e Gordon Matta-Clark.<\/p>\n<p>Oiticica viveu com intensidade essa vida da rua na chamada Downtown Art Scene de Manhattan. Entre 1965 e 1975 esse espa\u00e7o no sul da Ilha que hoje \u00e9 o milion\u00e1rio e gentrificado SoHo (com suas subdivis\u00f5es), concentrava a transgress\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de uma era. No caso de H\u00e9lio, apesar de n\u00e3o ter se tornado um \u201cNome\u201d dessa cena, era provavelmente excitante circular entre e conhecer algumas dessas pessoas. H\u00e1 v\u00e1rias de suas hist\u00f3ria privadas de encontros que v\u00e3o de noitadas com Jackie Smith a porres com Alice Cooper.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fz-fillmore-east1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-2025\" alt=\"fz-fillmore-east1\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fz-fillmore-east1.jpg\" width=\"711\" height=\"851\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fz-fillmore-east1.jpg 790w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fz-fillmore-east1-250x300.jpg 250w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fz-fillmore-east1-600x718.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 711px) 100vw, 711px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a m\u00fasica ocupa um grande espa\u00e7o de interesse em sua vida e ele morava literalmente colado a um dos grandes palcos da cena nova-iorquina da \u00e9poca que era o Fillmore East. Oiticica vai tr\u00eas dias seguidos nos famosos shows que os Stones deram no Madison Square Garden em 1972. Na porta de sua casa na Christopher Street tinha um p\u00f4ster de Jimi Hendrix que era a senha para o car\u00e1ter das pessoas: quem soubesse o personagem da imagem, tinha livre entrada em sua casa. Quem n\u00e3o soubesse, nem passava da porta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MSG720726-18-17A-FP.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2023\" alt=\"MSG720726-18-17A-FP\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MSG720726-18-17A-FP.jpg\" width=\"716\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MSG720726-18-17A-FP.jpg 716w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MSG720726-18-17A-FP-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MSG720726-18-17A-FP-600x402.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Outro espa\u00e7o urbano de Nova York que Oiticica se espraiou com gosto foi a regi\u00e3o de Wall Street. Por diferentes motivos, filmou e escreveu sobre o peda\u00e7o mais ao sul de Manhattan. Em seu filme incompleto <i>Agripina \u00e9 Roma Manhattan<\/i>, ele planeja um roteiro que criasse o di\u00e1logo entre a Wall Street do seu tempo e a mesma regi\u00e3o citada pelo poeta maranhense Sous\u00e2ndrade em seu famoso poema \u00e9pico <i>O Guesa<\/i> e especialmente no canto \u201cO Inferno de Wall Street\u201d. O t\u00edtulo do filme, ali\u00e1s, \u00e9 uma frase do poema de Sous\u00e2ndrade. H\u00e9lio n\u00e3o s\u00f3 filmou a regi\u00e3o como criou obras e di\u00e1logos textuais com cemit\u00e9rios e Igrejas do bairro, al\u00e9m de fotografar alguns de seus parangol\u00e9s nova-iorquinos ao p\u00e9s das, na \u00e9poca, imponentes e rec\u00e9m-inauguradas torres do World Trade Center.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/01.jpg\"><img loading=\"lazy\" alt=\"01\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/01.jpg\" width=\"527\" height=\"787\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2016\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enviei email ontem aos correspondentes aqui do b\u00aeog (FC RIO + JC\/LA\/CA + MC LDN) solicitando novos textos e uma participa\u00e7\u00e3o mais frequente. 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