{"id":1797,"date":"2013-02-28T19:56:13","date_gmt":"2013-02-28T19:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=1797"},"modified":"2013-02-28T19:56:13","modified_gmt":"2013-02-28T19:56:13","slug":"diretor-do-mar-quer-inverter-eixo-cultural-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1797","title":{"rendered":"Diretor do MAR quer inverter eixo cultural da cidade"},"content":{"rendered":"<p>Paulo Herkenhoff programou cursos e parceria para atender 200 mil estudantes da rede municipal por ano<\/p>\n<div>\n<p>Escola do Olhar destina ao setor educativo \u00e1rea quase igual \u00e0 de exposi\u00e7\u00f5es e \u00e9 aposta para atrair visitantes<\/p>\n<\/div>\n<h3><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1237631-leia-a-integra-da-entrevista-com-paulo-herkenhoff-diretor-do-museu-de-arte-do-rio.shtml\">t\u00e1 l\u00e1 na Folha\/UOL<\/a><\/h3>\n<address><b>FABIO CYPRIANO\u00a0<\/b>ENVIADO ESPECIAL AO RIO<\/address>\n<address><b>MARCO AUR\u00c9LIO CAN\u00d4NICO\u00a0<\/b>DO RIO<\/address>\n<p>&#8220;N\u00e3o queremos um museu que seja vitrine, n\u00e3o \u00e9 um museu dos grandes fetiches, dos recordes de aquisi\u00e7\u00e3o, mas onde as coisas entram porque podem produzir algum sentido. \u00c9 um museu de produ\u00e7\u00e3o de pensamento.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1237764-diretor-do-museu-de-arte-do-rio-quer-inverter-eixo-cultural-da-cidade.shtml\">Diretor do Museu de Arte do Rio quer inverter eixo cultural da cidade<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1237783-focado-em-formacao-de-pessoas-e-de-acervo-museu-de-arte-do-rio-abre-na-sexta-feira.shtml\">Focado em forma\u00e7\u00e3o de pessoas e de acervo, Museu de Arte do Rio abre na sexta-feira<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1237792-conheca-como-sera-o-museu-de-arte-do-rio-que-abre-nesta-semana.shtml\">Conhe\u00e7a como ser\u00e1 o Museu de Arte do Rio, que abre nesta semana<\/a><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a defesa entusiasmada de Paulo Herkenhoff, diretor cultural do Museu de Arte do Rio (MAR). Ele fala do espa\u00e7o com a empolga\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m prestes a concretizar um sonho. &#8220;Prometi a mim mesmo que n\u00e3o trabalharia mais em museus, mas n\u00e3o resisti a esse projeto&#8221;, confessa.<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra da entrevista com Paulo Herkenhoff, diretor do Museu de Arte do Rio, que abre na pr\u00f3xima sexta-feira (28).<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><b>Folha &#8211; O Rio precisa de mais um museu?<\/b><br \/>\n<b>Paulo Herkenhoff &#8211;<\/b>\u00a0O Rio precisa de um museu que est\u00e1 a altura da tarefa civilizat\u00f3ria de um museu. A primeira tarefa de um museu \u00e9 colecionar. Qual museu do Rio est\u00e1 colecionando?<\/p>\n<p><b>O Museu Nacional de Belas Artes?<\/b><br \/>\nS\u00f3 porque comprou um Portinari? Mas h\u00e1 quanto tempo n\u00e3o comprava?<\/p>\n<p><b>Mas \u00e9 preciso construir um novo museu para come\u00e7ar a colecionar?<\/b><br \/>\nUma nova institui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o Belas Artes est\u00e1 como est\u00e1. Os museus privados t\u00eam grande dificuldade de sobreviv\u00eancia e os p\u00fablicos est\u00e3o atrelados \u00e0 burocracia, ao aparelhamento.<\/p>\n<p>O Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) n\u00e3o teve dinheiro para comprar um desenho de Tarsila do Amaral sobre um poema de Oswald de Andrade, mas tinha dinheiro para pagar \u00f4nibus para a claque. O Ibram n\u00e3o representa a museologia brasileira, representa uma vis\u00e3o do Estado, personalizada, sobre museus. O que est\u00e1 sendo constru\u00eddo para o acervo do Belas Artes?<\/p>\n<p>A minha pergunta \u00e9: arte \u00e9 necess\u00e1ria? Quando voc\u00ea me pergunta se mais um museu \u00e9 necess\u00e1rio, eu pergunto: mais uma pintura \u00e9 necess\u00e1ria? Mais uma fotografia \u00e9 necess\u00e1ria?<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o necess\u00e1rias porque s\u00e3o da maneira que s\u00e3o, s\u00e3o significativas para a sociedade. Sen\u00e3o, \u00e9 mais um lixo que vai ser acumulado e vai parar na feira.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\"><\/td>\n<td><\/td>\n<td rowspan=\"3\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><img alt=\"Paulo Herkenhoff, diretor cultural da nova institui\u00e7\u00e3o de arte do Rio\" src=\"http:\/\/f.i.uol.com.br\/folha\/ilustrada\/images\/13058442.jpeg\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Paulo Herkenhoff, diretor cultural da nova institui\u00e7\u00e3o de arte do Rio<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Voc\u00ea tem metas para o aumento da cole\u00e7\u00e3o?<\/b><br \/>\nEu sou borgeano, freudiano e warburguiano [referente ao historiador da arte alem\u00e3o Aby Warburg (1866 &#8211; 1929)]. Parar de colecionar \u00e9 conversar com a morte. O que \u00e9 a puls\u00e3o de vida em um cole\u00e7\u00e3o \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o viva, continuando. Eu sou warburguiano pelas formas transversais. Estou muito interessado em livros de artistas.<\/p>\n<p>Eu escrevi um artigo chamado &#8220;Pum e cuspe no museu&#8221; para lidar com os pequenos atos, para quem n\u00e3o entende o conceito de &#8220;inframince&#8221;, de Marcel Duchamp, em que ele fala dos pequenos fatos na vida que nos atordoam, que criam diferen\u00e7a, que nos capturam no estranhamento.<\/p>\n<p>Para isso, ele cita como exemplo o ro\u00e7ar da cal\u00e7a de veludo como um som que se dispara e nos d\u00e1 uma outra percep\u00e7\u00e3o do mundo. Se eu n\u00e3o souber diferenciar um &#8220;inframince&#8221; de um barulho qualquer, eu posso achar que isso \u00e9 um pum.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, se eu n\u00e3o estudar o informe, certos pequenos gestos, eu vou pensar que o escarro, que \u00e9 origem da no\u00e7\u00e3o de informe, \u00e9 cuspe. A\u00ed, eu n\u00e3o vou entender a obra do porco empalhado do Nelson Leirner. Eu vou achar que \u00e9 porco, e a obra \u00e9 arte, assim como posso pensar que \u00e9 arte, quando \u00e9 apenas porco.<\/p>\n<p>E, para terminar com Borges, ele dizia que os argentinos tinham direito a Hamlet e ao cosmos.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea diz que o MAR n\u00e3o \u00e9 um museu de eventos, voc\u00ea acha que os museus no Brasil s\u00e3o muito preocupados com eventos?<\/b><br \/>\nN\u00e3o sei. Posso dizer que este [o MAR] n\u00e3o \u00e9 um museu de eventos. \u00c9 o museu necess\u00e1rio. H\u00e1 dez anos eu quis fazer um programa de educa\u00e7\u00e3o para atender 200 mil crian\u00e7as de rede municipal e me puxaram o tapete. Este projeto aqui era para o Museu de Belas Artes. A ideia de um museu para a rede p\u00fablica era de 2003.<\/p>\n<p><b>E por que n\u00e3o aconteceu, quando voc\u00ea era diretor do Museu de Belas Artes?<\/b><br \/>\nPorque o dinheiro foi negado. Ent\u00e3o qual \u00e9 miss\u00e3o de um museu no Rio? Primeiro, colecionar. Quais museus do Rio t\u00eam miss\u00e3o clara? Acho que o MAM (Museu de Arte Moderna) est\u00e1 construindo uma vis\u00e3o clara, tem um programa de exposi\u00e7\u00f5es muito importante, um programa de debates, mas n\u00e3o est\u00e1 colecionando. Sem colecionismo n\u00e3o existe ideia de museu.<\/p>\n<p><b>Qual era a ideia original? \u00c9 verdade que se pensou em uma Pinacoteca, ou em um museu para guardar o acervo de Roberto Marinho?<\/b><br \/>\nSobre isso voc\u00ea nunca vai ver algo escrito, apenas intriga. Quem disse isso? Intriga \u00e9 f\u00e1cil fazer.<\/p>\n<p><b>Mas Pinacoteca era a ideia original&#8230;<\/b><br \/>\nN\u00e3o vamos misturar alhos com bugalhos. Esse \u00e9 um museu da cidade do Rio para a popula\u00e7\u00e3o do Rio, pensado para a rede p\u00fablica municipal de ensino. Se for bom para a rede p\u00fablica, ser\u00e1 bom para os cidad\u00e3os do Rio, e se for bom para o cidad\u00e3o do Rio, ser\u00e1 bom para os turistas. Se a gente fizer um museu que discuta bem o Rio, vai ser bom para n\u00f3s e para o Rio. Esse \u00e9 o primeiro ponto.<\/p>\n<p>Esse museu, inicialmente, foi pensando, n\u00e3o por mim, para abrigar, temporariamente, cole\u00e7\u00f5es privadas, mas sem nenhuma conex\u00e3o com os organizadores do museu. Ou seja, era um museu que parecia museu mas n\u00e3o era. Museu sem cole\u00e7\u00e3o \u00e9 centro cultural. Isso foi entendido. A ideia de chamar Pinacoteca n\u00e3o \u00e9 minha, mas o nome Museu de Arte do Rio de Janeiro \u00e9 meu. Pinacoteca \u00e9 cole\u00e7\u00e3o de pinturas, ent\u00e3o seria inadequado. Temos que ser l\u00f3gicos na escolha das palavras.<\/p>\n<p>Quando se incorpora o nome museu, incorpora-se tudo que \u00e9 da civiliza\u00e7\u00e3o de museus: que forma cole\u00e7\u00e3o, que estuda sua cole\u00e7\u00e3o, que registra. N\u00f3s temos trabalhos j\u00e1 come\u00e7ados a serem feitos com universidades para o estudo da cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um museu que tem um penduricalho de gente, mas que trabalha com muita gente. De uma universidade v\u00eam 12 professores, o que \u00e9 um trabalho de troca m\u00fatua, porque n\u00e3o envolve dinheiro. A universidade quer pesquisar, n\u00f3s desejamos pesquisadores e \u00e9 a universidade que define a pauta. N\u00f3s n\u00e3o vamos substituir a universidade, mas ser um espa\u00e7o de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais: n\u00e3o tem &#8220;interior decoration&#8221;, n\u00e3o tem shopping. Tudo aqui tem sentido. Se voc\u00ea me perguntar sobre qualquer obra que voc\u00ea viu, eu vou lhe explicar porque ela est\u00e1 na cole\u00e7\u00e3o, porque ela est\u00e1 na exposi\u00e7\u00e3o e porque ela est\u00e1 naquela posi\u00e7\u00e3o na exposi\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o prego uma obra na parede sem saber que obra \u00e9 essa, qual seu sentido hist\u00f3rico, qual \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o em uma exposi\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o fa\u00e7o decora\u00e7\u00e3o de interior e nem defendo consumo.<\/p>\n<p><b>Estamos em um momento no Brasil que o mercado define as rela\u00e7\u00f5es com a arte?<\/b><br \/>\nQuais s\u00e3o as not\u00edcias que mais saem nos jornais? O mercado \u00e9 necess\u00e1rio, mas \u00e9 necess\u00e1rio na inst\u00e2ncia pr\u00f3pria do mercado.<\/p>\n<p>Esse museu \u00e9 um trabalho onde a sociedade civil participa em um eixo entre o Estado e o mercado, cada um em uma posi\u00e7\u00e3o. Isso se chama esfera p\u00fablica na teoria habermasiana. Qual \u00e9 o lugar da arte na esfera p\u00fablica do Rio? Quais s\u00e3o os museus que est\u00e3o introduzindo a esfera p\u00fablica, pensada como tal?<\/p>\n<p>Quando eu digo que n\u00f3s temos mais de 40 fundos, isso significa que n\u00f3s temos mais de 40 decis\u00f5es de apoiarem a constitui\u00e7\u00e3o de um acervo para o Rio, para o sistema educacional.<\/p>\n<p>Como eu disse, n\u00e3o \u00e9 cultura do espet\u00e1culo. N\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com recorde. Eu n\u00e3o disse em nenhum momento o valor de uma obra. Eu n\u00e3o falei de raridades.<\/p>\n<p>Eu digo que a incorpora\u00e7\u00e3o mais importante no MAR \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o de um Aleijadinho, o que n\u00e3o havia em nenhum museu da cidade. \u00c9 preciso pensar o que significa uma cidade que n\u00e3o tem Aleijadinho e nem o est\u00e1 buscando, em termos da hist\u00f3ria da arte brasileira e o que ele representa no presente, como ele alimenta o presente em valores simb\u00f3licos e para a popula\u00e7\u00e3o afro-brasileira.<\/p>\n<p><b>H\u00e1 uma quest\u00e3o essencial no MAR que \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com o educativo, mas museus, como o MAM nos anos 1960, tiveram uma papel importante para estimular a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Existe essa preocupa\u00e7\u00e3o aqui?<\/b><br \/>\nH\u00e1 alguns pontos que sustentam o arco da educa\u00e7\u00e3o no MAR, entre esses pontos h\u00e1 um projeto de pequenos cursos profissionalizantes para adolescentes das comunidades, sem grandes oportunidades, que \u00e9 como ensinar fazer moldura, montar uma exposi\u00e7\u00e3o, ou seja, preparar jovens que possam adquirir uma profiss\u00e3o. Isso j\u00e1 est\u00e1 em marcha.<\/p>\n<p>Depois teremos tamb\u00e9m semin\u00e1rios de curadoria, coordenados pela Lisette Lagnado. Isso ainda n\u00e3o come\u00e7ou, talvez no segundo semestre, ou mesmo no ano que vem. Mas a ideia \u00e9 ter semin\u00e1rios, que durem tr\u00eas ou quatro meses. Primeiro as pessoas passam uma semana no Rio, depois viajam e voltam.<\/p>\n<p>Depois n\u00f3s vamos ter resid\u00eancias de artistas. J\u00e1 temos autoriza\u00e7\u00e3o para alugar uma casa no Morro da Concei\u00e7\u00e3o, s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 sendo trabalhado agora, porque a prioridade \u00e9 o processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Rio tem uma dificuldade para criar um sistema de massa de arte e educa\u00e7\u00e3o. Qualquer capital importante, voc\u00ea pega Bel\u00e9m do Par\u00e1, por exemplo, eles levam dez mil crian\u00e7as ao Arte Par\u00e1, com monitoria, \u00f4nibus, pessoas que ajudam. Isso em Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia, um lugar distante, fora do sistema de lei Rouanet.<\/p>\n<p>Voc\u00ea vai a Porto Alegre e h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. H\u00e1 30 anos eu vou a Porto Alegre, com a Evelyn Ioschpe, e h\u00e1 30 anos j\u00e1 se trabalha l\u00e1 com arte e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Bienal de S\u00e3o Paulo, eu levei 200 mil crian\u00e7as, um projeto de massa. E isso \u00e9 muito importante. Temos dois desafios: um \u00e9 como voc\u00ea traz, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil trazer, custa dinheiro; o outro problema \u00e9 como voc\u00ea individualiza, lidando com a massa, quais os sistemas de poder que se estabelecem e precisam ser rompidos.<\/p>\n<p>O professor de arte n\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o sabe, \u00e9 o que pode. Se voc\u00ea diz que uma curadoria \u00e9 um saber superior, voc\u00ea diz que o professor, que rala com a crian\u00e7a, n\u00e3o sabe. Claro que ele sabe, inclusive dar a dimens\u00e3o da incomunicabilidade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o MAM do Rio tem um trabalho importante, o [Guilherme] Vergara, no MAC de Niter\u00f3i, tem um trabalho importante, a Casa Daros vai ter um papel important\u00edssimo. Mas cad\u00ea os outros museu? Eles n\u00e3o t\u00eam recursos.<\/p>\n<p><b>E o papel dos centros culturais, como o CCBB?<\/b><br \/>\n\u00c9 bom, mas eles t\u00eam outra dimens\u00e3o. H\u00e1 os centros culturais financiados por empresas, que t\u00eam uma necessidade de performatividade importante, ligado ao sistema de marketing. O banco fez 150 anos, tem uma campanha vinculada a crian\u00e7as, ent\u00e3o faz uma exposi\u00e7\u00e3o de novos artistas. Isso n\u00e3o \u00e9 o que a gente quer. A gente quer independ\u00eancia. A gente n\u00e3o pretende ter a maior visita\u00e7\u00e3o do ano.<\/p>\n<p>N\u00f3s pretendemos explorar ao m\u00e1ximo o resultado social do custo financeiro que tem um museu. Quanto custa para a cidade produzir um museu como esse? Esse custo tem que ser defendido a cada centavo, ele tem que produzir uma irradia\u00e7\u00e3o correspondente. Eu sei fazer uma exposi\u00e7\u00e3o bonita, mas fazer uma exposi\u00e7\u00e3o que realmente signifique algo para pessoas que nunca vieram ao museu \u00e9 o nosso desafio.<\/p>\n<p>Como receber uma pessoa que cruza esse espa\u00e7o desconhecido, que para ela \u00e9 uma barreira social, j\u00e1 que ela nem sabe se est\u00e1 vestida corretamente, ela tem medo de se comportar. Isso tudo tem que ser visto com enorme afetividade.<\/p>\n<p><b>Mas metade da verba para o funcionamento do museu ser\u00e1 buscado no mercado, via Lei Rouanet&#8230;<\/b><br \/>\nN\u00e3o uso esse conceito de mercado porque eu n\u00e3o trabalho com produtos. Nunca trabalhei com produtos. Trabalho com livros, curadorias, textos, aulas, visitas mediadas, esse \u00e9 meu processo.<\/p>\n<p>O mercado \u00e9 muito importante, mas dentro do MAR h\u00e1 um grupo de empres\u00e1rios que vai trabalhar isso, mas n\u00e3o para desenvolvimento econ\u00f4mico, e sim para desenvolvimento social. E n\u00f3s seremos avaliados por isso, por institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho, que tem a Vera Guimar\u00e3es, que nos anos 1960 foi assistente do Paulo Freire, e j\u00e1 alfabetizou cinco milh\u00f5es de crian\u00e7as.<\/p>\n<p><b>Como \u00e9 a estrutura do MAR?<\/b><br \/>\nN\u00f3s n\u00e3o queremos uma penca de gente aqui, n\u00f3s queremos abrir espa\u00e7o para as pessoas. Por isso, a exposi\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o Fadel, eu estou fazendo junto com o [Roberto] Conduru, que \u00e9 professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o do Rio \u00e9 feita por um professor universit\u00e1rio e um curador da Pinacoteca de S\u00e3o Paulo e professor da USP. N\u00e3o se trata de criar um corpo burocr\u00e1tico com funcion\u00e1rios donos de seus espacinhos. Isso \u00e9 um museu onde o pensamento \u00e9 vivo. A biblioteca vai come\u00e7ar, em julho, com 5 mil volumes. Voc\u00ea tem ideia de como est\u00e3o as bibliotecas do Rio? O Museu Nacional de Belas Artes tem comprado livros? Comprar livros n\u00e3o d\u00e1 resultado pol\u00edtico!<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o vou mudar o mundo, mas com essa equipe a gente pode transformar essa cidade. Eu vou trazer o [fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques] Ranci\u00e8re, o [cineasta alem\u00e3o Harun] Farocki, o [historiador franc\u00eas] George Didi-Huberman, mais os do Brasil, como o Daniel Lins, especialista em Deleuze, no Cear\u00e1, isso vai transformar o Rio.<\/p>\n<p>O Rio ficou \u00e0 margem, o que se passa de importante no Rio de Janeiro, que realmente produza transforma\u00e7\u00e3o? Eu sempre salvo o MAM, porque acho que ele faz um trabalho sensacional, mas o MAM n\u00e3o esgota as necessidades do Rio.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1797\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Herkenhoff programou cursos e parceria para atender 200 mil estudantes da rede municipal por ano Escola do Olhar destina ao setor educativo \u00e1rea quase igual \u00e0 de exposi\u00e7\u00f5es e \u00e9 aposta para atrair visitantes t\u00e1 l\u00e1 na Folha\/UOL FABIO CYPRIANO\u00a0ENVIADO ESPECIAL AO RIO MARCO AUR\u00c9LIO CAN\u00d4NICO\u00a0DO RIO &#8220;N\u00e3o queremos um museu que seja vitrine, &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1797\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1797"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1797"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1797\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1801,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1797\/revisions\/1801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}