{"id":173,"date":"2009-01-14T19:49:00","date_gmt":"2009-01-14T19:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=173"},"modified":"2009-01-14T19:49:00","modified_gmt":"2009-01-14T19:49:00","slug":"2008-pra-2009-o-adeus-do-internauta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=173","title":{"rendered":"2008 pra 2009: o adeus do internauta"},"content":{"rendered":"<p>Li isso l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/2009\/01\/13\/2008-pra-2009-o-adeus-do-internauta\/\">Conector<\/a> d&#8217;O Esquema.<\/p>\n<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SW5EF-jDnRI\/AAAAAAAABh8\/xMeFUzcOdWY\/s1600-h\/lanhouse_maranhense.jpg\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 325px;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SW5EF-jDnRI\/AAAAAAAABh8\/xMeFUzcOdWY\/s400\/lanhouse_maranhense.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5291241481686981906\" \/><\/a><\/p>\n<p>O ano de 2008 foi emblem\u00e1tico para a internet no Brasil (como ser\u00e3o os pr\u00f3ximos dez) e os sintomas mais claros disso se refletiram em um meio bastante tradicional: a televis\u00e3o. Nunca a internet como universo foi t\u00e3o comentada nos telejornais e programas semanais da TV aberta, ainda (por enquanto\u2026) um bom term\u00f4metro e principal refer\u00eancia quando se fala em comunica\u00e7\u00e3o de massa no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em especial, o Fant\u00e1stico fechou 2008 com aquele quadro das lan houses num esfor\u00e7o meio atrasado em rela\u00e7\u00e3o a essa (n\u00e3o t\u00e3o) nova cultura. Colocar a Regina Cas\u00e9 para apresentar as reportagens deixou claro o que est\u00e1 acontecendo. A apresentadora \u00e9 reconhecidamente a emiss\u00e1ria do canal aos confins \u201cex\u00f3ticos\u201d da cultura popular, acumulando os pap\u00e9is de tradutora engajada e peixe de fora curioso. Na busca por um suposto \u201cinternauta popular\u201d, descobrimos a agonia da figura do \u201cinternauta\u201d, aquele ser esquisito que vive para a tecnologia e cujo acesso a internet se d\u00e1 apenas para acessar a internet. O que n\u00e3o foi dito \u00e9 que o \u201cinternauta popular\u201d &#8211; que acessa a rede exclusivamente em lan houses ou por conex\u00e3o discada &#8211; tamb\u00e9m est\u00e1 com os dias contados. Mas por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Porque, al\u00e9m do barateamento dos computadores promovido nos \u00faltimos dois anos \u00e0 base de incentivo fiscal e cr\u00e9dito a rodo nas grandes redes de varejo, outro fator que precisa ser levado em considera\u00e7\u00e3o nesse processo \u00e9 desesperada batalha das empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o para vender seus combos de telefone fixo + banda larga ou telefone fixo + TV a cabo + banda larga e por a\u00ed vai. Em 2008, a NET lan\u00e7ou um desses pacotes por cerca de 39 reais, um pouco mais que 10% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Por essas e por outras, o acesso \u00e0 banda larga vem crescendo de forma consistente: em junho de 2008 havia 10 milh\u00f5es desse tipo de acesso no pa\u00eds, um n\u00famero 48% superior ao registrado no mesmo m\u00eas de 2007 segundo estudo encomendado pela Cisco Systems.<\/p>\n<p>Assim, ainda que o or\u00e7amento familiar seja mais apertado durante 2009, a internet em 2008 se tornou um item b\u00e1sico que n\u00e3o s\u00f3 serve como apoio na educa\u00e7\u00e3o dos filhos (um dos motivos mais citados em pesquisas populares) como tamb\u00e9m prov\u00ea servi\u00e7os e incrementa o acesso ao entretenimento. Pelo pre\u00e7o de duas ou tr\u00eas entradas de cinema, todos os filmes, m\u00fasicas, games, seriados e not\u00edcias do mundo est\u00e3o ali, ao alcance de qualquer um que tenha 50 reais mensais e um filho de 14 anos, este ser esfomeado e sem o menor compromisso com os protocolos tradicionais de direitos autorais. E tem mais: horas no MSN ou Orkut n\u00e3o custam quase nada comparado aos minutos ou SMS de celular.<\/p>\n<p>Falando nele, o Orkut se firma como o SBT da internet brasileira: tosco, por\u00e9m simp\u00e1tico e extremamente popular. A entrada do Facebook e do MySpace em territ\u00f3rio nacional n\u00e3o afetou em nada a notoriedade da rede social do Google. Pelo contr\u00e1rio, apenas acelerou a abertura da plataforma de aplicativos e seu conseq\u00fcente entranhamento na cultura brasileira. A vastid\u00e3o de express\u00f5es sociais nas comunidades e perfis do Orkut n\u00e3o encontra paralelo em nenhuma outra m\u00eddia digital. Fotos reveladoras, perfis confessionais, comunidades bizarras, discografias completas, conversas irrelevantes, a profus\u00e3o de aplicativos \u00fateis e in\u00fateis: \u00e9 o termo \u201crede social\u201d elevado \u00e0 \u00faltima pot\u00eancia por um pa\u00eds especialista em socializar. Orkut B\u00fcy\u00fckk\u00f6kten n\u00e3o tem a no\u00e7\u00e3o exata disso, porque, de forma totalmente involunt\u00e1ria, se tornou o nosso Silvio Santos digital.<\/p>\n<p>Enfim. A internet como assunto est\u00e1 deixando de se tornar pauta de tecnologia e lentamente passando para a retranca \u201cGeral\u201d. Ent\u00e3o n\u00e3o estranhe se ao longo dos pr\u00f3ximos anos, uma queda em uma rede de banda larga disputar espa\u00e7o com not\u00edcias sobre falta de luz no jornal, digo, na comunidade do Orkut do bairro. E se no meio do caminho voc\u00ea trope\u00e7ar em um corpo, n\u00e3o tenha d\u00favidas: \u00e9 o seu velho amigo, o conceito de \u201cinternauta\u201d, estendido no ch\u00e3o sem vida.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=173\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li isso l\u00e1 no Conector d&#8217;O Esquema. O ano de 2008 foi emblem\u00e1tico para a internet no Brasil (como ser\u00e3o os pr\u00f3ximos dez) e os sintomas mais claros disso se refletiram em um meio bastante tradicional: a televis\u00e3o. Nunca a internet como universo foi t\u00e3o comentada nos telejornais e programas semanais da TV aberta, ainda &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=173\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=173"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/173\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}