{"id":1675,"date":"2012-10-24T19:22:08","date_gmt":"2012-10-24T19:22:08","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=1675"},"modified":"2012-10-24T19:22:08","modified_gmt":"2012-10-24T19:22:08","slug":"poder-publico-nao-consegue-perceber-grandeza-do-masp-diz-curador-do-museu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1675","title":{"rendered":"&#8220;Poder p\u00fablico n\u00e3o consegue perceber grandeza do Masp&#8221;, diz curador do museu"},"content":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria do FABIO CYPRIANO que saiu na Ilustrada e no <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1173114-poder-publico-nao-consegue-perceber-grandeza-do-masp-diz-curador-do-museu.shtml\">site da Folha<\/a>.<\/p>\n<p>O Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp) est\u00e1 abandonado pelos poderes p\u00fablicos, especialmente o federal, afirma Teixeira Coelho, curador da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 no poder p\u00fablico uma disposi\u00e7\u00e3o para perceber a grandeza do Masp&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Com o mais importante acervo do hemisf\u00e9rio sul, o museu saiu da crise institucional, que culminou com o corte de eletricidade, em 2006, mas n\u00e3o tem f\u00f4lego para implementar exposi\u00e7\u00f5es de artistas brasileiros contempor\u00e2neos que considera fundamentais.<\/p>\n<p>Com a bilheteria e o apoio de R$ 1,2 milh\u00e3o do governo municipal, o Masp obt\u00e9m verba para se manter apenas por quatro dos 12 meses do ano &#8211;seu or\u00e7amento \u00e9 de R$ 12 milh\u00f5es. Os outros oito meses do ano dependem de doa\u00e7\u00f5es e patroc\u00ednios.<\/p>\n<p>Isso, para Coelho, representa a falta de pol\u00edtica dos governos para institui\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<div id=\"attachment_1677\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/teixeira_coelho.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1677\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1677\" title=\"teixeira_coelho\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/teixeira_coelho.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/teixeira_coelho.jpeg 550w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/teixeira_coelho-300x193.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1677\" class=\"wp-caption-text\">Teixeira Coelho, curador do Masp, na sede do museu. Foto: Marcelo Justo\/Folhapress<\/p><\/div>\n<p>Ele cr\u00edtica tamb\u00e9m que, a dois anos da Copa, o governo federal n\u00e3o tenha dado in\u00edcio a um projeto cultural, nos moldes do que Londres organizou durante a Olimp\u00edada.<\/p>\n<p>&#8220;O Masp continua blindado. Como seu acervo \u00e9 tombado, n\u00f3s pedimos assento em seu conselho, junto com os governos estadual e municipal, mas eles n\u00e3o respondem. \u00c9 preciso abrir sua administra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ficar apenas pedindo dinheiro&#8221;, disse \u00e0 Folha Jos\u00e9 do Nascimento J\u00fanior, diretor do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao Minist\u00e9rio da Cultura.<br \/>\nQuanto \u00e0 Copa, Nascimento J\u00fanior diz que o governo elaborou um projeto de R$ 250 milh\u00f5es, mas est\u00e1 buscando verba.<\/p>\n<p>&#8220;A ministra Marta Suplicy encontrou-se com o ministro do Esporte [Aldo Rebelo] nessa semana para tratar disso.&#8221;<\/p>\n<p>Em suas cr\u00edticas aos governos, Teixeira Coelho poupa Marcelo Araujo, o secret\u00e1rio de Cultura do Estado de S\u00e3o Paulo: &#8220;Tenho boas expectativas sobre sua gest\u00e3o. Ele \u00e9 uma pessoa da \u00e1rea, que sabe o que \u00e9 necess\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Araujo concorda que o Estado precisa dar apoio ao Masp. &#8220;Estamos realizando um processo de aproxima\u00e7\u00e3o com o Masp para compor parcerias&#8221;, afirma o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para Coelho, parte das dificuldades enfrentadas pelo museu tem a ver com o preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao centralismo da gest\u00e3o J\u00falio Neves (1994-2008), que extinguiu a figura do curador.<br \/>\n&#8220;Existe uma coisa chamada h\u00e1bito cultural, que faz com que n\u00e3o se mude o modo de pensar uma coisa&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Leia abaixo a entrevista que o curador concedeu \u00e0\u00a0<strong>Folha<\/strong>.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>Folha<\/strong>\u00a0Estamos a dois anos de um megaevento na cidade, que \u00e9 a Copa do Mundo. Em Londres, por conta das Olimp\u00edadas, a Tate inaugurou uma nova ala. O Masp pretende fazer algo?*<br \/>\n<strong>Teixeira Coelho &#8211;<\/strong>\u00a0Um dos primeiros eventos da Olimp\u00edada, em Londres, de que tive conhecimento, foi um concerto de m\u00fasica cl\u00e1ssica que eu ouvi pela r\u00e1dio, meses antes de ela come\u00e7ar. E foi um evento anunciado como parte da Olimp\u00edada. Os ingleses cuidaram disso. As pessoas v\u00eam para as cidades ver dois ou tr\u00eas jogos de futebol, mas fazem tamb\u00e9m turismo. E buscam cultura.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os planos do governo brasileiro para a Copa? Estamos a dois anos e nada foi programado. Sozinho o MASP n\u00e3o pode fazer mais do que j\u00e1 faz.<\/p>\n<p><strong>O Masp n\u00e3o foi procurado?<\/strong><br \/>\nNada. E eu n\u00e3o sou de ficar aqui sentado esperando. Quando busquei o governo para discutir caminhos de coopera\u00e7\u00e3o, me disseram: &#8220;Na semana que vem, agora n\u00e3o posso, agora vou viajar&#8230;&#8221; Se existe um Minist\u00e9rio da Cultura, s\u00e3o eles que deveriam nos procurar.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o n\u00e3o existe uma pol\u00edtica federal para as institui\u00e7\u00f5es culturais?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Claro que se voc\u00ea falar com o Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram, eles v\u00e3o dizer que possuem uma pol\u00edtica e que o Masp precisa aderir ao sistema nacional de museus. Mas se voc\u00ea trocar em mi\u00fados, n\u00f3s nunca fomos capazes de ver nada de concreto.<\/p>\n<p><strong>Mas e os editais que eles promovem?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o editais de valores baixos, que pouco representam para o Masp. Eu aprendi que \u00e9 preciso tratar desigualmente os desiguais. Isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antidemocr\u00e1tico como parece, pois significa tratar com mais intensidade os desprotegidos e com menos intensidade os mais favorecidos. Isso significa tamb\u00e9m que determinadas institui\u00e7\u00f5es, por sua import\u00e2ncia, precisam ser tratadas de forma adequada. N\u00e3o se trata o Masp como um pequeno museu de mem\u00f3ria do interior.<\/p>\n<p><strong>O atual governo tem priorizado o apoio a projetos do Norte e Nordeste. Voc\u00ea concorda com essa pol\u00edtica?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma quest\u00e3o importante de pol\u00edtica cultural. Se voc\u00ea vai na rua Flor\u00eancio de Abreu, em S\u00e3o Paulo, l\u00e1 existe ferragem, na rua da Consola\u00e7\u00e3o, produtos de ilumina\u00e7\u00e3o. O que quero dizer com isso? Existe em cultura algo que diz respeito \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o. Na universidade isso \u00e9 chamado massa cr\u00edtica. Concentrando voc\u00ea pode irradiar. No Brasil, antes de haver concentra\u00e7\u00e3o, chega um monte de apressadinhos que querem descentralizar.<\/p>\n<p>Isso foi um efeito perverso da Lei Rouanet. Desconcentrou, pulverizou, e as institui\u00e7\u00f5es foram rebaixadas a um n\u00edvel de t\u00e1bula rasa. Algumas privadas se fortaleceram, mas as p\u00fablicas n\u00e3o. N\u00e3o foi s\u00f3 o Masp quem sofreu, o MAC tamb\u00e9m. O pensamento tem sido &#8220;o Masp que se vire sozinho, ele \u00e9 elitista, tem boas obras&#8221;. Mas ele n\u00e3o se vira sozinho. O Louvre ainda recebe 30% de verbas do Estado, se n\u00e3o me engano.<\/p>\n<p><strong>Quanto o Masp consegue de bilheteria?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um grande tema. Da bilheteria, 66% n\u00e3o pagam nada: idosos e crian\u00e7as. Em qualquer lugar avan\u00e7ado do mundo, idoso \u00e0s vezes tem redu\u00e7\u00e3o de 10%. Assim, 33% dos que entram no Masp pagam alguma coisa, e o pre\u00e7o do ingresso est\u00e1 congelado h\u00e1 seis anos. Ent\u00e3o, \u00e9 quase nada.<\/p>\n<p><strong>O que isso representa de fato?<\/strong><br \/>\nCom 800 mil visitantes por ano, a bilheteria paga cerca de dois meses de manuten\u00e7\u00e3o do museu. Assim, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo, que repassa por ano, por conta de um decreto, cerca de R$ 1,2 milh\u00e3o, paga um m\u00eas e meio, dois meses de manuten\u00e7\u00e3o do museu, os visitantes outro tanto. E os quase oito meses, j\u00e1 que o or\u00e7amento do Masp est\u00e1 em R$ 12 milh\u00f5es, quem paga? Doa\u00e7\u00f5es e patroc\u00ednio.<\/p>\n<p><strong>Com as quest\u00f5es do passado recente do museu, como a centraliza\u00e7\u00e3o do ex-presidente J\u00falio Neves, voc\u00ea acha que o Masp sofre preconceito?<\/strong><br \/>\nSim. Existe uma coisa chamada h\u00e1bito cultural que faz com que n\u00e3o se mude o modo de pensar uma coisa. Certas coisas grudam e v\u00e3o ficar. Se todo mundo tivesse mente aberta, seria poss\u00edvel mudar de opini\u00e3o a respeito das coisas.<\/p>\n<p>Eu sabia de tudo isso quando entrei no Masp. Por que aceitei? Ou voc\u00ea fica na arquibancada xingando o juiz, e eu cansei de xingar, ou pega a camisa e vai jogar. Eu escrevi em v\u00e1rios lugares, inclusive na\u00a0<strong>Folha<\/strong>, que o problema do Masp era que ele n\u00e3o tinha curador. Possivelmente por isso fui convidado e o que eu podia responder? Seria muito acad\u00eamico n\u00e3o aceitar, eu n\u00e3o sou acad\u00eamico a esse ponto.<\/p>\n<p><strong>Mas se a elite intelectual ainda descr\u00ea do Masp, a popula\u00e7\u00e3o o torna ainda um dos museus mais visitados. \u00c9 meio esquizofr\u00eanico, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nParafraseando um pol\u00edtico famoso, o p\u00fablico do museu quer ver arte e n\u00e3o est\u00e1 interessando em quest\u00f5es que interessam a outros.<\/p>\n<p><strong>Um fen\u00f4meno recente interessante foram as filas para ver os impressionistas no CCBB, sendo que o Masp possui obras dos mesmos artistas com a mesma qualidade&#8230;<\/strong><br \/>\nAquilo \u00e9 um evento e o Masp n\u00e3o \u00e9. Mas eu n\u00e3o compartilho com a ideia que um evento \u00e9 necessariamente uma besteira. Etimologicamente, evento \u00e9 algo que rompe uma rotina.<\/p>\n<p>Se os impressionistas no CCBB servem para romper a rotina dos impressionistas do Masp, \u00f3timo! Acorda, desperta, d\u00e1 um choque. Mas, fila n\u00e3o mede muita coisa. Aqui tamb\u00e9m tivemos filas para o Caravaggio e eu acho isso algo indigno. Eu n\u00e3o fa\u00e7o fila para ver arte. Estou lutando para resolver esse problema de filas.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Masp ainda tem uma d\u00edvida com os artistas brasileiros. O Pr\u00eamio Masp, pelo qual venho batalhando desde o in\u00edcio de minha gest\u00e3o e que s\u00f3 concretizamos neste ano, \u00e9 uma forma de resgatar a divida do Masp com os artistas brasileiros. Mas fizemos um programa de exposi\u00e7\u00f5es de artistas brasileiros e pergunta-me se conseguimos patroc\u00ednio!<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje temos artistas convidados, que fizeram projetos, mas n\u00e3o conseguimos levantar patroc\u00ednio porque as empresas n\u00e3o pagam pelo artista brasileiro e o bolso do Masp n\u00e3o consegue faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><strong>Isso n\u00e3o \u00e9 outra perversidade das leis de incentivo, pois os patrocinadores s\u00f3 apoiam nomes fortes?<\/strong><br \/>\nEu aprendi que \u00e9 preciso ver as coisas por perspectivas distintas. Tem patrocinador que n\u00e3o est\u00e1 preocupado com rendimento de m\u00eddia, mesmo porque alguns, n\u00e3o me pergunte quais, n\u00e3o querem que se coloque sua logomarca.<\/p>\n<p>E por que eles apoiam Caravaggio? Porque \u00e9 conhecido e porque o patrocinador gosta dele, sinceramente! Agora se eu quero mostrar um artista conceitual brasileiro, o patrocinador n\u00e3o o conhece porque n\u00e3o sabe o que \u00e9 arte conceitual. Ele n\u00e3o est\u00e1 errado, \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o que tem que dar um jeito de mostrar aquilo que ela acha que \u00e9 importante. S\u00f3 que o museu tem que lutar para ficar \u00e0 tona. N\u00e3o \u00e9 digno que um pa\u00eds deixe um museu lutando para ficar \u00e0 tona! O pa\u00eds tinha que encontrar um jeito para que o Masp navegasse.<\/p>\n<p><strong>Mas o Brasil vive uma fase de uma euforia no mercado, isso n\u00e3o se reflete nas institui\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s continuamos, do ponto de pol\u00edtica cultural, do mesmo modo que est\u00e1vamos h\u00e1 muitos anos atr\u00e1s. Alguma institui\u00e7\u00e3o tem sucesso porque se renova, como Funda\u00e7\u00e3o Bienal, que a duras penas consegue se manter, e outras nem tanto. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o vejo essa melhora do mercado se refletir nas institui\u00e7\u00f5es de arte, como o Masp, um museu que n\u00e3o tem, praticamente, apoio p\u00fablico, com exce\u00e7\u00e3o de pequeno aporte do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a e o alheamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de cultura e arte no Brasil continuam os mesmos, tanto do poder p\u00fablico, da iniciativa privada ou da sociedade civil. Eu n\u00e3o sou inimigo da lei Rouanet, porque sem ela o Brasil seria uma cela gelada em termos de cultura; mas o fato \u00e9 que ela n\u00e3o acostumou a iniciativa privada a colocar dinheiro pr\u00f3prio na cultura.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, foram criadas institui\u00e7\u00f5es como o CCBB, que ajudam a movimentar o setor. Mas h\u00e1 brasileiros que doam dinheiro ao MoMA e n\u00e3o nada para o Masp ou outras institui\u00e7\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p><strong>O Masp foi criado por um mecenas, o Assis Chateaubriand. H\u00e1 mecenas hoje?<\/strong><br \/>\nOs mecenas acabaram. Quando eu estava no MAC eu ouvi de um colecionador que doa\u00e7\u00f5es como as do Ciccillo e do Chateaubriand nunca mais, porque ele tem herdeiros e os herdeiros fazem quest\u00e3o de continuarem propriet\u00e1rios das obras. Naquele tempo a arte n\u00e3o tinha alcan\u00e7ado tamb\u00e9m o patamar econ\u00f4mico que tem hoje, n\u00e3o tinha os mesmos pre\u00e7os de hoje. Aquela fonte secou.<\/p>\n<p>A isso, se acresce o absoluto desconhecimento pela sociedade civil das fun\u00e7\u00f5es de um museu. A sociedade americana sabe o peso disso, o mesmo na Europa.<\/p>\n<p><strong>Mas as dificuldades do Masp n\u00e3o t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o por conta da centraliza\u00e7\u00e3o, por anos, de um grupo liderado pelo J\u00falio Neves?<\/strong><br \/>\nO Brasil \u00e9 um pa\u00eds provinciano no sentido de que rixas ideol\u00f3gicas, familiares ou pessoais comandam o cen\u00e1rio e \u00e9 imposs\u00edvel colocar isso em segundo plano. Se a sociedade que mant\u00e9m o Masp tem sua parcela de responsabilidade, os poderes p\u00fablicos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos o Masp ficou 18 meses sendo investigado por uma promotora de Justi\u00e7a e nada de significativo foi encontrado e o Masp venceu em primeira inst\u00e2ncia. N\u00e3o h\u00e1 no poder p\u00fablico uma disposi\u00e7\u00e3o para perceber a grandeza do Masp. A Pinacoteca encontrou na OS [Organiza\u00e7\u00e3o Social] uma forma de se manter, mas pelos estudos que o Masp fez, n\u00e3o valeria a pena passar a ser uma OS. Por cinco anos me encontro me encontrei com o Minist\u00e9rio da Cultura e nada acontece!<\/p>\n<p><strong>Uma das primeiras iniciativas da Marta Suplicy foi visitar o Masp&#8230;<\/strong><br \/>\nTentarei conhecer suas inten\u00e7\u00f5es a respeito.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem uma boa expectativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ela?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho nenhuma expectativa em rela\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m, sem querer ser sarc\u00e1stico. \u00c9 que eu sei que, estruturalmente, o Estado brasileiro \u00e9 indiferente \u00e0 cultura e \u00e0 arte. N\u00f3s conseguimos sobreviver, mas \u00e9 dif\u00edcil, at\u00e9 porque a lei Rouanet dificulta, j\u00e1 que ela \u00e9 feita ano a ano, n\u00e3o h\u00e1 como planejar dois ou tr\u00eas anos adiante.<\/p>\n<p>A gente tem que planejar uma mostra com maior anteced\u00eancia, mas n\u00e3o tem autonomia econ\u00f4mica para concretiz\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>E o Marcelo Ara\u00fajo, como secret\u00e1rio de Estado?<\/strong><br \/>\nTenho boas expectativas sobre sua gest\u00e3o, ele \u00e9 uma pessoa da \u00e1rea, que sabe o que \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o do Masp, hoje?<\/strong><br \/>\nQuando fui chamado para ser curador, h\u00e1 quase seis anos, eu propus ao Masp uma linha de atua\u00e7\u00e3o baseada na configura\u00e7\u00e3o dele. Esse museu aqui, guardadas todas as propor\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma esp\u00e9cie de Metropolitan pequeno, fruto da pol\u00edtica inicial do museu que era inclusiva: ele tem arte europeia, arte pr\u00e9-colombiana, cer\u00e2mica italiana, etc, t\u00edpica ideia de um museu do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 porque ignorar a cole\u00e7\u00e3o do museu e n\u00e3o constituir um repert\u00f3rio a partir dele. Hoje, temos seis mostras prontas, a partir do acervo, que se revezam em mostras de longa dura\u00e7\u00e3o. O museu, ent\u00e3o, tem um repert\u00f3rio, como c\u00e9lulas que apontam para possibilidades de exposi\u00e7\u00e3o. Surgindo interesse de outro museu, a mostra est\u00e1 pronta para viajar.<\/p>\n<p>O museu n\u00e3o tem como seguir na linha de aquisi\u00e7\u00e3o, como quando o Chateaubriand era vivo, n\u00e3o porque n\u00e3o se queira, mas porque os pre\u00e7os est\u00e3o absurdos, e para que ele n\u00e3o se encerre em sua cole\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que ele se alimente com exposi\u00e7\u00f5es de arte contempor\u00e2nea, o que tamb\u00e9m temos feito. A Bienal percebeu essa tend\u00eancia do MASP e ela tamb\u00e9m acontece aqui neste ano, com dois artistas.<\/p>\n<p><strong>Uma pr\u00e1tica cotidiana hoje \u00e9 produtores organizarem exposi\u00e7\u00f5es para os museus, terceirizando seus servi\u00e7os. Os museus n\u00e3o t\u00eam mais capacidade de organizar mostras sozinhos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 bem terceirizar. Qualquer museu hoje em dia apresenta exposi\u00e7\u00f5es de outro lugar, mesmo o MoMA, e isso n\u00e3o \u00e9 um dem\u00e9rito. Voc\u00ea n\u00e3o oferece uma exposi\u00e7\u00e3o do Caravaggio para a tendinha da esquina. Mas terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia internacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer dizer que seja uma pol\u00edtica do Masp, mas faz parte de uma pulveriza\u00e7\u00e3o de algo que antes era muito concentrado. Hoje o museu n\u00e3o \u00e9 est\u00e1 mais isolado, tem a Bienal, as feiras, os centros culturais, produtoras independentes. Um museu n\u00e3o d\u00e1 conta sozinho. Temos aqui s\u00f3 tr\u00eas curadores, somos poucos.<\/p>\n<p><strong>E o que representa o pr\u00e9dio ao lado, que est\u00e1 sendo reformado, para o Masp?<\/strong><br \/>\nA previs\u00e3o \u00e9 que ele seja inaugurado no primeiro semestre de 2014. N\u00f3s recebemos uma doa\u00e7\u00e3o de 2.000 obras de arte asi\u00e1tica, do colecionador Fausto Godoy, e parte dela ser\u00e1 exibida onde hoje \u00e9 o restaurante, que vai para o novo pr\u00e9dio. Uma parte da administra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai para l\u00e1, assim como a lojinha, e nele faremos uma escola de arte revolucion\u00e1ria para a cidade.<\/p>\n<p><strong>Em que sentido?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o posso avan\u00e7ar nesse assunto, mas ser\u00e1 de fato diferente, porque vai mexer com essa ambiente de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Em 2014 ser\u00e1 o centen\u00e1rio do nascimento de Lina Bo Bardi e o Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi n\u00e3o quer que a mostra comemorativa ocorra no Masp pois o museu n\u00e3o apresenta o projeto expositivo dos cavaletes na cole\u00e7\u00e3o. Por que o acervo permanente continua sem usar os cavaletes?<\/strong><br \/>\nPor que deveria continuar? Por que uma proposta expositiva deve continuar para sempre? O Brasil \u00e9 um pa\u00eds profundamente patrimonialista e preservacionista. \u00c9 inconceb\u00edvel que se queira manter uma mesma maneira de expor eternamente. Tentaram tombar os cavaletes do Masp no Condephaat e eles perceberam que isso n\u00e3o era poss\u00edvel. Por outro lado, a primeira exposi\u00e7\u00e3o que fiz como curador do MASP, com o artista Alex Flemming, utilizou os cavaletes da Lina&#8230;<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1675\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria do FABIO CYPRIANO que saiu na Ilustrada e no site da Folha. O Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp) est\u00e1 abandonado pelos poderes p\u00fablicos, especialmente o federal, afirma Teixeira Coelho, curador da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 no poder p\u00fablico uma disposi\u00e7\u00e3o para perceber a grandeza do Masp&#8221;, diz ele. Com o mais importante acervo &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1675\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1675"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1675"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1678,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1675\/revisions\/1678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}