{"id":1654,"date":"2012-10-23T01:54:31","date_gmt":"2012-10-23T01:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=1654"},"modified":"2012-10-23T01:54:31","modified_gmt":"2012-10-23T01:54:31","slug":"luiz-zerbini-raul-mourao-e-cabelo-mostram-geometrias-e-turbulencias-em-exposicoes-individuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1654","title":{"rendered":"Luiz Zerbini, Raul Mour\u00e3o e Cabelo mostram \u2018geometrias e turbul\u00eancias\u2019 em exposi\u00e7\u00f5es individuais"},"content":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria da Audrey Furlaneto publicada no Segundo Caderno e no <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/luiz-zerbini-raul-mourao-cabelo-mostram-geometrias-turbulencias-em-exposicoes-individuais-6420496\">site do Globo<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_1655\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Cabelo-Zerbini-e-Mourao.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1655\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1655 \" title=\"Cabelo-Zerbini-e-Mourao\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Cabelo-Zerbini-e-Mourao.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Cabelo-Zerbini-e-Mourao.jpeg 500w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Cabelo-Zerbini-e-Mourao-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1655\" class=\"wp-caption-text\">foto: Camilla Maia<\/p><\/div>\n<p>RIO &#8211; De um lado, uma floresta em del\u00edrio, com \u00e1rvores e flores que parecem saltar, coloridas, de formas geom\u00e9tricas. Anda-se um tanto para o lado oposto, e a geometria parece reinar. As formas surgem equilibradas, ritmadas por um movimento suave. Caminha-se um pouco mais e, enfim, chega-se ao del\u00edrio completo que j\u00e1 n\u00e3o obedece \u00e0s formas e surge ora em espelhos, ora em tecidos brilhantes, ora em n\u00e9ons azuis e vermelhos.<\/p>\n<p>O percurso po\u00e9tico \u2014 do del\u00edrio da forma ao del\u00edrio puro \u2014 poder\u00e1 ser percorrido no Museu de Arte Moderna (MAM), que abre nesta quarta \u00e0s 19h para convidados tr\u00eas mostras de artistas diferentes e, ao mesmo tempo, pr\u00f3ximos: Luiz Zerbini, Raul Mour\u00e3o e Cabelo.<\/p>\n<p>De Zerbini, a exposi\u00e7\u00e3o \u201cAmor\u201d, a maior das tr\u00eas que o MAM inaugura hoje, re\u00fane 60 obras da \u00faltima d\u00e9cada \u2014 entre elas, as telas (de at\u00e9 seis metros) em que natureza e formas geom\u00e9tricas convivem e deliram no plano bidimensional. Trata-se da maior individual da carreira do artista que nasceu em S\u00e3o Paulo e construiu sua trajet\u00f3ria no Rio, desde os anos 1980, quando trabalhou como cen\u00f3grafo do grupo de teatro Adr\u00fabal Trouxe o Trombone.<\/p>\n<p>Um dos grandes nomes da arte contempor\u00e2nea no pa\u00eds, Zerbini leva de quatro a oito meses para produzir uma pintura. Duas telas que estar\u00e3o no MAM, entre elas um tr\u00edptico de 3 metros por 6 metros, foram feitas especialmente para a mostra. O artista tamb\u00e9m exp\u00f5e uma s\u00e9rie com slides, telas sem chassis e uma grande mesa em que reproduz as refer\u00eancias que carrega para o ateli\u00ea durante o longo e meticuloso processo de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vizinha \u00e0 mostra de Zerbini, a exposi\u00e7\u00e3o \u201cTra\u00e7\u00e3o animal\u201d traz oito grandes esculturas de Raul Mour\u00e3o. S\u00e3o os \u201cbalan\u00e7os\u201d que aparecem na obra do artista desde 2009. Neles, formas em metal se equilibram e t\u00eam o movimento alterado pelo toque do espectador. Raul ocupa ainda outras duas salas: numa, balan\u00e7os menores t\u00eam suas sombras projetadas nas paredes; na outra, est\u00e1 o v\u00eddeo \u201cPlano\/acaso\u201d, em que a c\u00e2mera, num elevador, percorre os andares de um edif\u00edcio-garagem no Rio.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 \u201cHum\u00fasica\u201d, de Cabelo. E ent\u00e3o h\u00e1 terra, floreiras carregadas por imagens de Buda, minhocas, carrinhos, espelhos em bases de skate&#8230; Na abertura, o artista ir\u00e1 \u201cincorporar\u201d o MC Minhoca. Far\u00e1 uma performance com o DJ Esterco (na vida \u201creal\u201d, o DJ XXT) e os meninos Cebolinha e Yuri, do Bonde do Passinho.<\/p>\n<p>Para o curador do MAM, Luiz Camillo Osorio, \u201cpelo contraste, percebe-se a singularidade\u201d dos artistas:<\/p>\n<p>\u2014 A apropria\u00e7\u00e3o surge como um elemento vital que \u00e9 potencializado pela obra de cada um. Raul se apropria dos andaimes de forma l\u00fadica, Cabelo tem um universo inteiro. Zerbini vai dos galhos secos \u00e0s caixas de som, aos slides, aos postes. Ele combina a exuber\u00e2ncia de uma obra do Renascimento com a vibra\u00e7\u00e3o potente de uma banda como Sonic Youth.<\/p>\n<p>Na parede principal do Espa\u00e7o Monumental do MAM, Zerbini mostra o que define como \u201cconversa entre objetos, cores, formas e composi\u00e7\u00f5es\u201d. Ele ocupa quase toda a parede com telas que flertam com a figura\u00e7\u00e3o, a abstra\u00e7\u00e3o e a geometria.<\/p>\n<p>A figura\u00e7\u00e3o, por exemplo, surge em plantas, convivendo com caixas de som, postes da cidade ou micos que percorrem cabos de energia. Tudo \u00e9 reflexo da observa\u00e7\u00e3o da cidade pelo artista, que fotografa postes ou carrega plantas para o ateli\u00ea a fim de contempl\u00e1-las e recri\u00e1-las na pintura.<\/p>\n<p>Zerbini ocupa a parte mais alta da parede, perto do teto, com as formas geom\u00e9tricas puras, em pinturas com incont\u00e1veis quadrados do cinza ao preto. Tudo em \u201cAmor\u201d \u00e9 grandioso e, como diz o curador do museu, \u201cpotente e exuberante\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 como se fosse um espa\u00e7o fant\u00e1stico, mas numa escala real, uma continua\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o real \u2014 afirma Zerbini.<\/p>\n<p>Na parede oposta, h\u00e1 vitrines de acr\u00edlico com slides coletados pelo artista h\u00e1 alguns anos. Ele os organiza, criando padr\u00f5es, ou faz interven\u00e7\u00f5es, substituindo as imagens por gelatinas coloridas. J\u00e1 nas laterais do espa\u00e7o, ficam telas presas por cordas, como \u201cp\u00e1ginas de um livro gigante\u201d.<\/p>\n<p>Reunir todos os trabalhos sob o t\u00edtulo \u201cAmor\u201d, diz Zerbini, pareceu-lhe uma \u201ctradu\u00e7\u00e3o muito precisa do trabalho\u201d:<\/p>\n<p>\u2014 Dentro dele est\u00e1 a mem\u00f3ria emocional do que se viveu, est\u00e3o a fam\u00edlia, as amizades, a loucura. Tudo isso est\u00e1 inclu\u00eddo na ideia de amor.<\/p>\n<p>J\u00e1 a express\u00e3o \u201cTra\u00e7\u00e3o animal\u201d, t\u00edtulo da mostra de Raul Mour\u00e3o, \u00e9 definida em dicion\u00e1rios como \u201cqualquer ve\u00edculo deslocado por animal\u201d. No MAM, o espectador \u00e9 quem \u201cdesloca\u201d a obra. Com um toque, as esculturas entram em um \u201cequil\u00edbrio inst\u00e1vel\u201d, como diz o artista, que pode ser alterado continuamente.<\/p>\n<p>Para ele, a mostra deve despertar a \u201cvertigem do olhar\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 A principal fun\u00e7\u00e3o da arte \u00e9 essa. Uma fun\u00e7\u00e3o social, ali\u00e1s. Trata-se de impregnar o homem de poesia \u2014 diz Raul.<\/p>\n<p>J\u00e1 em \u201cHum\u00fasica\u201d, de Cabelo, a natureza torna-se ainda mais l\u00fadica \u2014 um viveiro de minhocas est\u00e1 no centro de tudo. A ideia que parece dar base \u00e0 mostra \u00e9 que o res\u00edduo torna-se fertilizante (no caso, de novas ideias, de obras pouco \u00f3bvias que flertam com Arthur Bispo do Ros\u00e1rio e a arte pop).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sala principal, onde h\u00e1 de telas a minhocas, Cabelo criou outra, onde est\u00e3o v\u00eddeos e \u201cobjetos de v\u00e1rios tempos, obras feitas e a fazer\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 O Cabelo \u00e9 um artista que sai da m\u00fasica, da performance, dessa vibra\u00e7\u00e3o da cultura pop do Rio e vai para o desenho, o objeto \u2014 diz Luiz Camillo Osorio, para, em seguida, retormar a rela\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas artistas:<\/p>\n<p>\u2014 Zerbini tem um pouco da geometria do Raul e da turbul\u00eancia do Cabelo. Com a geometria do Raul, voc\u00ea v\u00ea a turbul\u00eancia do Cabelo. E, com ela, a geometria do Raul fica mais po\u00e9tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1654\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria da Audrey Furlaneto publicada no Segundo Caderno e no site do Globo. RIO &#8211; De um lado, uma floresta em del\u00edrio, com \u00e1rvores e flores que parecem saltar, coloridas, de formas geom\u00e9tricas. Anda-se um tanto para o lado oposto, e a geometria parece reinar. As formas surgem equilibradas, ritmadas por um movimento suave. Caminha-se &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1654\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1654"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1654"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1656,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1654\/revisions\/1656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}