{"id":16,"date":"2008-02-29T12:08:00","date_gmt":"2008-02-29T12:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=16"},"modified":"2008-02-29T12:08:00","modified_gmt":"2008-02-29T12:08:00","slug":"as-licoes-da-arco-nas-artes-e-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=16","title":{"rendered":"As li\u00e7\u00f5es da ARCO, nas artes e na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:bold;\"><a href=\"http:\/\/forumpermanente.incubadora.fapesp.br\/portal\/.rede\/numero\/numero-nove\/entrevista-com-luis-camillo-osorio\/\">Luiz Camillo Osorio<\/a> escreveu no segundo caderno do Globo de quarta (27\/3) a mat\u00e9ria abaixo. Texto l\u00facido, preciso e oportuno.<\/span><\/p>\n<p>Pela primeira vez, galerias com menos autonomia de v\u00f4o atuaram em uma feira, tendo a oportunidade de criar parcerias e de abrir novos canais de circula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A cidade de Madri, neste m\u00eas de fevereiro, foi invadida pela arte brasileira. Uma invas\u00e3o planejada a partir do convite feito ao Brasil para ser o pa\u00eds homenageado pela Arco, uma das principais feiras de arte, que acontece anualmente na capital espanhola. O papel destas feiras hoje ultrapassa a dimens\u00e3o comercial. H\u00e1 semin\u00e1rios, performances e v\u00e1rios projetos especiais. Cada vez mais elas se parecem com as bienais. A escala \u00e9 monumental, a diversidade \u00e9 a regra, e o mercado \u00e9 uma presen\u00e7a marcante. Ter sido o pa\u00eds convidado garantiu \u00e0s galerias brasileiras um espa\u00e7o pr\u00f3prio. Ocupou-se uma \u00e1rea enorme, mas em um setor de pouca visibilidade na feira. A id\u00e9ia dos curadores escolhidos pelo Minist\u00e9rio da Cultura (MinC) para a se\u00e7\u00e3o brasileira, Paulo Sergio Duarte e Moacir dos Anjos, era dar mais destaque aos artistas do que \u00e0s galerias.<\/p>\n<p>Todavia, o perfil comercial da feira imp\u00f4s suas regras e limitou a museografia, seccionando o espa\u00e7o e impedindo um desenho aut\u00f4nomo da exposi\u00e7\u00e3o. Os artistas foram separados e cada um ficou com seu cent\u00edmetro de parede. Faltou sinaliza\u00e7\u00e3o e mais integra\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios espa\u00e7os da feira. As galerias que optaram por pagar por um espa\u00e7o pr\u00f3prio fora do setor brasileiro tiveram um resultado melhor nas vendas. Menos isoladas, recebiam um volume de colecionadores muito maior. Apesar de certa decep\u00e7\u00e3o do ponto de vista comercial, n\u00e3o creio que podemos analisar esta empreitada apenas pela \u00f3tica imediatista.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, galerias com menos autonomia de v\u00f4o atuaram em uma feira, tendo a oportunidade de criar parcerias e de abrir novos canais de circula\u00e7\u00e3o. Foi um primeiro esfor\u00e7o do poder p\u00fablico para qualificar a internacionaliza\u00e7\u00e3o do mercado de arte brasileiro. A economia da cultura precisa ser redesenhada. Hoje, n\u00e3o se sabe quantificar o que o mercado de arte efetivamente movimenta no Brasil. Sem se ter alguma base de dados e um m\u00ednimo de controle sobre o dinheiro que circula n\u00e3o se pode propor pol\u00edticas culturais inteligentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe ao minist\u00e9rio interferir no mercado, mas \u00e9 imposs\u00edvel atuar hoje sem uma articula\u00e7\u00e3o entre o setor p\u00fablico e o privado. H\u00e1 que se conciliar um mercado din\u00e2mico com institui\u00e7\u00f5es culturais mais bem organizadas e atuando de forma a democratizar o acesso e viabilizar a experimenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta ter boas galerias se os museus n\u00e3o funcionam a contento. Para isso, \u00e9 fundamental que se tenha mais transpar\u00eancia e clareza sobre o papel de cada ator no complexo circuito de arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>O ponto mais positivo dessa presen\u00e7a brasileira em Madri aconteceu do lado de fora da feira e junto \u00e0s principais institui\u00e7\u00f5es culturais da cidade. O resultado a\u00ed \u00e9 incontest\u00e1vel e com desdobramentos de m\u00e9dio e longo prazo. N\u00e3o \u00e9 comum termos artistas como Jos\u00e9 Damasceno e Miguel Rio Branco expondo simultaneamente no Centro de Arte Rainha Sofia e na Casa de Am\u00e9rica. O primeiro espalhou suas pe\u00e7as pelo principal museu de arte contempor\u00e2nea de Madri: na biblioteca, no jardim, nos corredores, pelas paredes. Uma ocupa\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo surpreendente e sutil. J\u00e1 Rio Branco montou uma pequena antologia de sua obra, com destaque para o filme de 1979\/81 intitulado \u201cNada levarei quando morrer \/ aqueles que \u2018mim deve\u2019 cobrarei no inferno\u201d, revelando um Brasil mesti\u00e7o, miser\u00e1vel e delirantemente tr\u00e1gico.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o de Fernanda Gomes e Carmela Gross no Matadero tamb\u00e9m merece destaque. Seja pelo uso po\u00e9tico daquele espa\u00e7o sombrio por Fernanda, seja pela ironia da frase luminosa de Carmela que brilhava no p\u00e1tio em letras garrafais &#8211; SE VENDE. Ainda aconteceu ali dentro um encontro de coletivos de artistas brasileiros e espanh\u00f3is. A Casa Encendida, outro centro cultural da maior relev\u00e2ncia, foi ocupada por Lucia Koch e Marcelo Cidade. O Panorama da Arte Brasileira, organizado pelo MAMSP, com curadoria de Moacir dos Anjos, foi montado nas salas da Alcal\u00e1 31. Al\u00e9m disso, v\u00e1rias galerias importantes e alguns outros espa\u00e7os institucionais mostravam artistas brasileiros como Ernesto Neto, Jos\u00e9 Bechara, Regina Silveira, Os G\u00eameos, Eder Santos e Marcos Chaves. De fato, juntou-se quantidade e qualidade, levando ao circuito internacional nossa melhor arte contempor\u00e2nea. Aos poucos, vai-se tentando desenhar uma pol\u00edtica p\u00fablica para as artes brasileiras. Com o aprendizado desta empreitada, esperam-se novas a\u00e7\u00f5es com alguma corre\u00e7\u00e3o de foco e, acima de tudo, continuidade. A inten\u00e7\u00e3o do MinC foi a melhor poss\u00edvel e merece todo o apoio do meio de arte.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=16\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Camillo Osorio escreveu no segundo caderno do Globo de quarta (27\/3) a mat\u00e9ria abaixo. Texto l\u00facido, preciso e oportuno. 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