{"id":156,"date":"2008-12-05T21:43:00","date_gmt":"2008-12-05T21:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=156"},"modified":"2008-12-05T21:43:00","modified_gmt":"2008-12-05T21:43:00","slug":"pais-corre-risco-de-levar-vazio-a-veneza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=156","title":{"rendered":"Pa\u00eds corre risco de levar &quot;vazio&quot; a Veneza"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/STxuDqh7m6I\/AAAAAAAABfE\/MSQV5d8LYu0\/s1600-h\/+bienal_veneza_folha_de_sp.jpg\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 218px; height: 400px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/STxuDqh7m6I\/AAAAAAAABfE\/MSQV5d8LYu0\/s400\/+bienal_veneza_folha_de_sp.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5277213872606649250\" \/><\/a><\/p>\n<p>O texto abaixo \u00e9 da Marcia Fortes e saiu na Folha de SP de hoje. Clicando na imagem acima \u00e9 poss\u00edvel ler a reportagem.<\/p>\n<p>Muito j\u00e1 se falou e publicou sobre esta que ficou conhecida como a Bienal do Vazio, que deixou vazio um andar inteiro do pr\u00e9dio da Bienal. Pr\u00f3s e contras \u00e0 parte, acho mesmo que j\u00e1 \u00e9 hora de deixarmos a discuss\u00e3o sobre essa Bienal e voltarmos o foco para outra quest\u00e3o: o pavilh\u00e3o do Brasil na pr\u00f3xima Bienal de Veneza, que ser\u00e1 inaugurada em 4 de junho de 2009. Afinal, essa Bienal de S\u00e3o Paulo j\u00e1 est\u00e1 vazia mesmo, falem o que quiserem, mas a oportunidade de &#8220;ench\u00ea-la&#8221; j\u00e1 era, passou.<br \/>O problema premente agora \u00e9 outro e, se n\u00e3o o encararmos imediatamente, perigamos perpetuar um conceito e apresentarmos em Veneza o &#8220;Pavilh\u00e3o do Vazio&#8221;. Vamos l\u00e1. Para quem n\u00e3o sabe, a Bienal de S\u00e3o Paulo foi fundada em 1950 nos moldes da Biennale di Venezia, cujo formato inclui uma mostra coletiva central ladeada por pavilh\u00f5es nacionais, onde diversos pa\u00edses apresentam por conta pr\u00f3pria um ou mais artistas.<br \/>Aqui em S\u00e3o Paulo, isso acabou com a 27\u00aa Bienal, quando a curadora Lisette Lagnado e seus co-curadores aboliram as representa\u00e7\u00f5es nacionais optando pelo coletivismo geral -criando assim um modelo mais contempor\u00e2neo para a Bienal de S\u00e3o Paulo, que foi seguido nesta atual edi\u00e7\u00e3o. A Bienal de Veneza, por sua vez, mant\u00e9m o modelo e lidera o ranking das grandes bienais de arte at\u00e9 os dias de hoje.<br \/>Retr\u00f3grada ou n\u00e3o, fato \u00e9 que hordas de amantes da arte voam para Veneza a cada dois anos para ver a Bienal, fazendo filas que serpenteiam ao redor dos pavilh\u00f5es de pa\u00edses como EUA, Alemanha e Inglaterra.<\/p>\n<p>Convite-roubada<\/p>\n<p>Sob o intenso sol italiano de junho, artistas, curadores, cr\u00edticos e colecionadores de arte contempor\u00e2nea (boa parte deles vestidos de preto como se estivessem no asfalto urbano de Nova York) circulam de um pavilh\u00e3o ao outro vendo, vivenciando e comentando a arte apresentada por cada pa\u00eds.<br \/>E \u00e9 nesse momento que a hist\u00f3ria vai se reescrevendo nas p\u00e1ginas da arte contempor\u00e2nea; s\u00e3o nos pavilh\u00f5es de Veneza que os g\u00eanios se afirmam, os talentos se confirmam, sucesso e fama se propagam. Uma boa apresenta\u00e7\u00e3o em Veneza pode render o resto da carreira de determinado artista. Assim como uma m\u00e1 apresenta\u00e7\u00e3o pode ser fatal.<br \/>No total, 29 pa\u00edses mant\u00eam pavilh\u00f5es nos Giardini em Veneza. Existem outros, mas estes est\u00e3o fora da \u00e1rea nobre dos Giardini. \u00c9 claro que o Brasil n\u00e3o deixaria por menos: mant\u00e9m seu pavilh\u00e3o ali, de arquitetura moderna e com piscina nos fundos, pr\u00f3ximo ao pavilh\u00e3o de Israel.<br \/>E \u00e9 a\u00ed que come\u00e7am nossos problemas: o pequeno pr\u00e9dio est\u00e1 sedento por uma reforma j\u00e1 h\u00e1 algumas edi\u00e7\u00f5es da Bienal, perderam-se as letras que diziam &#8220;Padiglione Brasile&#8221;. A n\u00e3o ser que o governo brasileiro -atrav\u00e9s da Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo que \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pela representa\u00e7\u00e3o nacional na Bienal de Veneza- tenha patrocinado a tal reforma de 2007 para c\u00e1, as condi\u00e7\u00f5es do nosso Pavilh\u00e3o em junho de 2009 dever\u00e3o estar ainda piores. Bem depr\u00ea.<br \/>Mas a batata quente mesmo \u00e9 a arte. Cad\u00ea ela, o que esperar da arte de nosso pa\u00eds em Veneza? At\u00e9 o momento, nem todos os pa\u00edses indicaram seus artistas, mas ao menos anunciaram os curadores\/comiss\u00e1rios respons\u00e1veis pela sele\u00e7\u00e3o dos artistas. O Brasil, nem isso.<br \/>Mesmo que se anunciem curador esta semana, e que este fa\u00e7a convite oficial ao artista na semana que vem, j\u00e1 seria o chamado &#8220;convite-roubada&#8221;. Imagine a press\u00e3o: o pobre do artista ir\u00e1 representar o seu pa\u00eds na maior das bienais mundiais, mas ter\u00e1 menos de quatro meses para ter uma grande id\u00e9ia, propor e conseguir aprova\u00e7\u00e3o da mesma por parte do curador, captar boa parte do dinheiro para sua produ\u00e7\u00e3o (pois, como sabemos, a Funda\u00e7\u00e3o Bienal n\u00e3o tem sido exatamente eficaz na capta\u00e7\u00e3o de recursos) e produzir a obra.<br \/>Digo menos de quatro meses porque tudo ter\u00e1 que estar finalizado at\u00e9 meados de mar\u00e7o, pois certamente n\u00e3o haver\u00e1 fundos para um transporte a\u00e9reo e a obra dever\u00e1 seguir de navio do porto de Santos at\u00e9 a bela Venezia, cumprindo uma via sacra de cerca de dez semanas entre os primeiros pap\u00e9is requeridos pela burocracia brasileira e o aporte em solo \u00edtalo.<br \/>Tudo isso com a seguinte press\u00e3o extra: nosso querido artista estar\u00e1 competindo (sim, a Bienal de Veneza \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o que premia os melhores pavilh\u00f5es) com artistas do calibre de um Bruce Nauman, que representar\u00e1 os EUA. Enfim, seja o que Deus quiser.<\/p>\n<p>M\u00c1RCIA FORTES \u00e9 jornalista e s\u00f3cia da galeria Fortes Vila\u00e7a<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=156\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo \u00e9 da Marcia Fortes e saiu na Folha de SP de hoje. Clicando na imagem acima \u00e9 poss\u00edvel ler a reportagem. Muito j\u00e1 se falou e publicou sobre esta que ficou conhecida como a Bienal do Vazio, que deixou vazio um andar inteiro do pr\u00e9dio da Bienal. 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