{"id":149,"date":"2008-11-28T06:00:00","date_gmt":"2008-11-28T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=149"},"modified":"2008-11-28T06:00:00","modified_gmt":"2008-11-28T06:00:00","slug":"el-privilegio-de-morir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=149","title":{"rendered":"El privilegio de morir"},"content":{"rendered":"<p>Peguei la do<a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/\"> Conector<\/a> do Gustavo Mini.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/privilegio-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1744\" title=\"privilegio-4\" src=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/privilegio-4.jpg\" alt=\"\" height=\"266\" width=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 um problema quando eu vou a um espet\u00e1culo de dan\u00e7a e quero escrever sobre ele aqui: eu simplesmente n\u00e3o sei o que dizer. \u00c9 diferente de comentar filmes, livros ou discos. Eu j\u00e1 ouvi, assisti, li bilh\u00f5es desses. Mas dan\u00e7a\u2026 ontem foi meu terceiro ou quarto espet\u00e1culo de dan\u00e7a na vida. N\u00e3o entendo nada. E n\u00e3o que seja um problema pra sentar l\u00e1 e assistir, mas \u00e9 um problema pra tentar passar adiante a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Enfim.<\/p>\n<p>Eu fui parar no Theatro S\u00e3o Pedro ontem \u00e0 noite por uma s\u00e9rie de pequenos eventos em sequ\u00eancia. Vi um cartaz que me chamou a aten\u00e7\u00e3o e ficou um resqu\u00edcio dele na minha cabe\u00e7a. Depois, dois dias antes do espet\u00e1culo, um amigo me ligou convidado para um evento\/bate papo com o diretor, que n\u00e3o pude ir. Nesse telefonema foi que fiquei sabendo da inspira\u00e7\u00e3o do Edward Hopper, pintor que adoro. Depois, vi no jornal que o ingresso de plat\u00e9ia custava m\u00edseros 30 reais, quando a maior parte dos shows na cidade gira em torno de 100 reais pra ver cada coisinha\u2026 cartaz + telefonema de amigo + ingresso barato\u2026<\/p>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\" height=\"344\" width=\"425\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/a7L6e-lxaGQ&amp;hl=en&amp;fs=1\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/a7L6e-lxaGQ&amp;hl=en&amp;fs=1\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" height=\"344\" width=\"425\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Ent\u00e3o me sentei l\u00e1, eu e minha gastrite, pra assistir ao trabalho da companhia <a href=\"http:\/\/www.provisionaldanza.com\/\" target=\"_blank\">Provizional Danza de Madrid<\/a>. Sem saber o que pensar ou que sentir. Depois de tanto tempo, eu sei bem o que pensar e o que sentir em grande parte dos filmes, livros e discos (e tamb\u00e9m n\u00e3o me olhe assim, eu sei n\u00e3o \u00e9 autoajudamente correto dizer isso, que vc deve \u201cn\u00e3o saber\u201d as coisas). Na falta de meus conceitos usuais, ent\u00e3o, me segurei no Edward Hopper. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil achar nas cenas a luz e a solid\u00e3o dos quadros do americano. A foto que abre o post d\u00e1 bem id\u00e9ia de como foi, muito embora no S\u00e3o Pedro n\u00e3o tivesse aquela dram\u00e1tica parede detonada.<\/p>\n<p>Meu conceito-hopper-cinto-de-seguran\u00e7a n\u00e3o durou muito tempo. Logo me perdi na hist\u00f3ra e n\u00e3o sabia muito bem o que estava acontecendo. Sei que a trilha pulava do Frank Sinatra pra um techno minimal, bem como a coreografia flu\u00eda de movimentos espasm\u00f3dicos, pra uma dan\u00e7a meio anos 50 (\u00e9 o melhor que consigo pra descrever\u2026) e dali pra\u2026 breakdance. Minha descri\u00e7\u00e3o deve dar id\u00e9ia do maior clich\u00ea dos clich\u00eas de dan\u00e7a moderna, mas n\u00e3o d\u00ea bola. S\u00e3o as minhas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Resumo da hist\u00f3ria: entrei no universo proposto, mas n\u00e3o sei qual \u00e9 ele at\u00e9 agora. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o fez falta, honestamente. Os movimentos dos dan\u00e7arinos\/bailarinos\/atores ficaram registrados na minha mente. Bem como o clim\u00e3o. E havia um clim\u00e3o. Meio tenso, meio solto. Gente dan\u00e7ando com vigor ou se escabelando pelado. Fica um clim\u00e3o n\u00e9?<\/p>\n<p>Um dia, quem sabe, eu consigo explicar. Ou n\u00e3o. Muito provavelmente n\u00e3o. N\u00e3o prometo nada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/privilegio-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1745\" title=\"privilegio-1\" src=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/privilegio-1.jpg\" alt=\"\" height=\"300\" width=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma pista. O texto da diretora da companhia, Carmen Werner. Deixo em espanhol porque acho bonito. Caso queira, traduza no Google.<\/p>\n<p><em>\u201cHablemos de la no violencia, de empezar de espaldas a la vida y de poder escoger el destino libremente. No voy a contar mentiras, pero en el infierno puede aparecer un \u00e1ngel.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em> Hablemos de la toma de decisiones, de la capacidad de modificar el destino, de la libertad que todo el mundo piensa que posee.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>Esta pieza esta inspirada en los cuadros de Edward Hopper, en la paz de sus<br \/>personajes, de su mirada, los colores, la luz.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>Pareciera que est\u00e1n esperando algo o a alguien, no est\u00e1n atormentados, puede que esperen el privilegio de morir.\u201d<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o acho que morrer seja exatamente um privil\u00e9gio (n\u00e3o vamos todos?), mas talvez o ponto n\u00e3o seja mesmo a morte como a chegada da paz (quem disse que \u00e9?). Talvez o privil\u00e9gio de morrer seja o privil\u00e9gio das coisas que n\u00e3o ficam estanques e onde as coisas n\u00e3o ficam estanques h\u00e1 liberdade. Talvez o privil\u00e9gio de morrer seja o privil\u00e9gio de ter vivido.<\/p>\n<p>Desculpe soar \u201ccomercial de final de ano com texto de auto ajuda\u201d, mas acho que \u00e9 por a\u00ed a coisa mesmo.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=149\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peguei la do Conector do Gustavo Mini. \u00c9 um problema quando eu vou a um espet\u00e1culo de dan\u00e7a e quero escrever sobre ele aqui: eu simplesmente n\u00e3o sei o que dizer. \u00c9 diferente de comentar filmes, livros ou discos. Eu j\u00e1 ouvi, assisti, li bilh\u00f5es desses. 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