{"id":128,"date":"2008-10-30T15:51:00","date_gmt":"2008-10-30T15:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=128"},"modified":"2008-10-30T15:51:00","modified_gmt":"2008-10-30T15:51:00","slug":"ta-jetsons-fica-flinstones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=128","title":{"rendered":"T\u00e1 Jetsons? Fica Flinstones."},"content":{"rendered":"<p>Sexta, 29 de agosto. A casa noturna est\u00e1 entupida de gente, a luz se apaga e a voz que sai das caixas de som anuncia o in\u00edcio do show em 5 minutos. Imediatamente milhares de celulares se erguem para fotografar e gravar a entrada da banda. Os pontos luminosos na escurid\u00e3o da plat\u00e9ia s\u00e3o pequenas telas \u00e1vidas por registrar os pr\u00f3ximos instantes. <\/p>\n<p>A cena me faz lembrar um texto antigo do cineasta alem\u00e3o Win Wenders onde ele comentava a avalanche de fotos que assombra o planeta e a conseq\u00fcente banaliza\u00e7\u00e3o das imagens na sociedade contempor\u00e2nea. O  texto passava pelos pintores e seus retratos da nobreza e (depois) paisagem, a inven\u00e7\u00e3o da fotografia, os pioneiros e habilidosos fot\u00f3grafos que se destacavam em poucas cidades da Europa, a invenc\u00e3o do filme 35mm e o boom das fotos de viagem, os equipamentos de revela\u00e7\u00e3o 1 hora e as c\u00e2meras descart\u00e1veis. \u00c9 um artigo de uns 10 anos atr\u00e1s quando a revolu\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas digitais e celulares que fazem imagens eletr\u00f4nicas (fotografias?) ainda estava engatinhando. <\/p>\n<p>O show ainda n\u00e3o come\u00e7ou. \u201cHoje, se considerarmos c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia, webcams e os aparelhos celulares, existem mais m\u00e1quinas que produzem imagens do que habitantes na Inglaterra.\u201d me diz o videomaker mo\u00e7ambicano-carioca Victor Lopes. A banda entra e o som entope as orelhas. Cutuco Victor lembrando que existem mais televisores do que geladeiras no Brasil. A conversa segue e argumento tamb\u00e9m sobre as ferramentas de armazenamento \u201cvirtual\u201d de imagens (Flickr, Picasa etc), os blogs pessoais e o YouTube com seus milhares de v\u00eddeos. Fim da primeira m\u00fasica, a plat\u00e9ia est\u00e1 ensandecida.<\/p>\n<p>Imagens nos cercam por todos os lados o tempo todo. Vivemos o come\u00e7o de um novo tempo onde a internet 2.0 j\u00e1 \u00e9 uma realidade transformadora e a TV digital uma promessa confusa e instigante. Nessse cen\u00e1rio eletrizante vejo artistas tomarem posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas. Enquanto alguns se entusiasmam com as novas possibilidades outros se fecham no ateli\u00ea. N\u00e3o concordo nem acredito nessa polariza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O show acabou. Luciana Padilha, do coletivo Pernambucano Branco do Olho, fala do projeto de levar oficinas de fotografias aos mun\u00edcipios do interior do estado. \u201cTodo mundo vai ter um telefone que faz foto e precisamos aproveitar isso como uma ferramenta de forma\u00e7\u00e3o do olhar. Se ensinarmos no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de fotografia podemos atacar o sens\u00edvel de forma inusitada. A populariza\u00e7\u00e3o dos celulares gera uma oportunidade de trabalharmos educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica em larga escala para todas as idades e perfis. Vamos colocar fot\u00f3grafos e artistas rodando as cidades pequenas e m\u00e9dias com um curso de 1 semana. Numa segunda etapa vamos criar centros de fotografia com exposi\u00e7\u00f5es de artistas consagrados, jovens talentos e fot\u00f3grafos amadores. Al\u00e9m de ensinar as pessoas a olharem o mundo de forma nova \u00e9 uma oportunidade de aproxim\u00e1-las do computador e da Internet. Inclus\u00e3o digital atrav\u00e9s da foto.\u201d O show ainda ocupa minha cabe\u00e7a e fico pensando numa escola de m\u00fasica com computadores em todas as salas de aula, est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o e laborat\u00f3rios. Oficinas de Pro Tools, iTunes, mp3, samplers, DJs. Cursos permentes de engenharia de audio, guitarra, discotecagem, baixo, bateria e percuss\u00e3o. Inclus\u00e3o digital atrav\u00e9s da m\u00fasica.<\/p>\n<p>A conversa segue animada no Bar e Restaurante Cervantes na Rua Prado Junior em Copacabana. \u00c9 madrugada e o local est\u00e1 cheio. O artista Sheik fotografa sem parar com seu celular Nokia 6265 com resolu\u00e7\u00e3o de 2.0 megapixels enquanto a menina euf\u00f3rica da mesa ao lado incomodada questiona para que tantas imagens. O poeta Fausto Fawcett responde perguntando com a sabedoria de sempre: \u201cT\u00e1 Jetsons? Fica Flinstones.\u201d \u2028<\/p>\n<p>Raul Mour\u00e3o<br \/>Setembro de 2008<\/p>\n<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SQ9TwCdKdWI\/AAAAAAAABa8\/H9eFet8fxKU\/s1600-h\/capa_das_artes_baixa.jpg\"><img style=\"cursor:pointer; cursor:hand;width: 312px; height: 400px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SQ9TwCdKdWI\/AAAAAAAABa8\/H9eFet8fxKU\/s400\/capa_das_artes_baixa.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5264518574177416546\" \/><\/a><\/p>\n<p>Texto publicado na revista dasArtes editada por Adolfo Montejo e lan\u00e7ada na \u00faltima ter\u00e7a no Museu de Arte Moderna &#8211; Rio. No pr\u00f3ximo n\u00famero sai mais um texto.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=128\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta, 29 de agosto. A casa noturna est\u00e1 entupida de gente, a luz se apaga e a voz que sai das caixas de som anuncia o in\u00edcio do show em 5 minutos. Imediatamente milhares de celulares se erguem para fotografar e gravar a entrada da banda. 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