{"id":1273,"date":"2012-07-13T23:36:42","date_gmt":"2012-07-13T23:36:42","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=1273"},"modified":"2012-07-13T23:36:42","modified_gmt":"2012-07-13T23:36:42","slug":"velha-e-nova-entrevista-com-mauricio-valladares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1273","title":{"rendered":"Velha (e nova) entrevista com Maur\u00edcio Valladares"},"content":{"rendered":"<p>Ontem na madrugada\u00a0<a href=\"http:\/\/www.roncaronca.com.br\/site\/\">MauVal<\/a>\u00a0me mandou email com o\u00a0<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/19990204032642\/http:\/\/www.ocarioca.com.br\/1acervo\/texto\/malval\/malval.html\">link da entrevista<\/a>\u00a0abaixo q ele acabara de receber de um integrante da tucida RoncaRonca de Curitiba. O subject do email era\u00a0<em>Lembra?<\/em>, a resposta foi\u00a0<em>Sim, claro. Como \u00e9 q vc achou isso?<\/em>\u00a0Trata-se de um peda\u00e7o do Cariocnarede, site da Revista Ocarioca, q editei com Chacal, Waly Salom\u00e3o Bernardo Vilhena, Marcos Chaves, Sonia Barreto e Marcelo Pereira na d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo passado. O site n\u00e3o est\u00e1 mais no ar mas alguns nacos sobraram no\u00a0<a href=\"http:\/\/archive.org\/web\/web.php\">arquivo intern\u00e9tico WaybackMachine<\/a>.<\/p>\n<p>A entrevista aconteceu na Praia do Flamengo numa tarde distante pra Meireles e eu estava l\u00e1 com Marcos Chaves e Luis Marcelo. As fotos abaixo s\u00e3o todas de autoria do MV e ilustravam a entrevista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/06.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto de Maur\u00edcio Valladares - Maracan\u00e3, 1980\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/06.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"281\" \/><\/a><\/p>\n<p>Maur\u00edcio Valladares \u2013 Maracan\u00e3, 1980<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio Valladares, 45, \u00e9 para a gera\u00e7\u00e3o entre 25 e 35 anos, algo como o Carlos Z\u00e9firo da m\u00fasica. Seus programas de r\u00e1dio, desde o Rockalive da extinta Fluminense at\u00e9 o atual\u00a0<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20000201195021\/http:\/\/www.roncaronca.com.br\/\" target=\"_blank\">Ronca Ronca<\/a>\u00a0da R\u00e1dio Imprensa, 102.1MHz, todas as quartas-feiras, das dez \u00e0 meia-noite, serviram e servem como um verdadeiro catecismo sonoro. Cumprindo a fun\u00e7\u00e3o de DJ evangelista das boas novas, posto meio semdono desde a morte de Big Boy, Mau Val apresentou ao longo dos anos um permanente Radiocurso 2\u00ba Grau, que foi de U2 a Sugar Minott e continua hoje, misturando Ataulfo Alves (imortal criador do hit \u201cE o Duque n\u00e3o morreu\u201d) com Goldie.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas esse neg\u00f3cio de ser um John Peel vasca\u00edno \u00e9 apenas uma faceta. Maur\u00edcio Valladares \u00e9, essencialmente, um puta fot\u00f3grafo. Ele assinou as fotos de algumas das melhores capas de discos do Brasil. O primeiro da Legi\u00e3o? Dele. Paralamas, inclusive a sensacional capa dos Gr\u00e3os? Dele. Ed Motta, Picassos Falsos? E por a\u00ed vai.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma patota d\u2019Ocariocanarede (Marcos Chaves, Raul Mour\u00e3o e Luis Marcelo Mendes) foi bater um longo papo com Maur\u00edcio sobre fotografia, burrices radiof\u00f4nicas e ainda aproveitou para pegar uma sele\u00e7\u00e3o de fotos in\u00e9ditas, com outros personagens e outras paisagens distantes do meio musical.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/01.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto de Maur\u00edcio Valladares. Ondino Vieira, Montevid\u00e9u, 1986\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/01.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/a><\/p>\n<p>Maur\u00edcio Valladares \u2013 Ondino Vieira, Montevid\u00e9u, 1986<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea se formou em publicidade. Mas chegou a trabalhar em alguma ag\u00eancia, fez est\u00e1gio, essas coisas?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Quando entrei na faculdade eu estava entre jornalismo e publicidade. Na \u00e9poca eu j\u00e1 fotografava e tinha a inten\u00e7\u00e3o de fazer alguma coisa relacionada a fotografia mesmo. Hoje eu at\u00e9 me arrependo um pouco, acho que se tivesse feito jornalismo poderia ser melhor para mim. N\u00e3o sei em qu\u00ea tamb\u00e9m. Nunca peguei meu diploma. T\u00e1 l\u00e1 at\u00e9 hoje. S\u00f3 fui na festa de formatura porque falaram que era obrigado, sen\u00e3o nem ia.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0A decis\u00e3o de fazer publicidade ou jornalismo foi motivada pela fotografia?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0N\u00e3o s\u00f3 fotografia, mas pelo lance da comunica\u00e7\u00e3o, de se expressar. Eu comecei a fotografar de curti\u00e7\u00e3o, era algo ligado \u00e0 musica, fotografia de show. 99% das minhas fotos s\u00e3o voltadas a pessoas. Eu nunca soube fotografar um vaso, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E que bandas voc\u00ea fotografava na \u00e9poca?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0De Gilberto Gil a\u2026sei l\u00e1. M\u00f3dulo 1000, Mutantes, fotografava as coisas que rolavam no in\u00edcio dos anos 70.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E fazia na cara de pau mesmo?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Era uma coisa que tinha muito antigamente. Hoje \u00e9 dif\u00edcil voc\u00ea ir num show e ver um cara fotografando da plat\u00e9ia. Eu olhava aquele monte de gente fotografando e falava: \u201cCaralho, para onde essas fotografias v\u00e3o\u201d? Tinha os caras dos jornais e tal, mas tamb\u00e9m um monte de outros caras fotografando, com m\u00e1quinas legais. N\u00e3o era f\u00e3zinha com m\u00e1quina Xereta. V\u00e1rios fot\u00f3grafos como Fl\u00e1vio Colker e Milton Montenegro faziam isso.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Essa \u00e9 a sua forma\u00e7\u00e3o ou voc\u00ea fez curso?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0N\u00e3o, sou autodidata total.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0A maioria do material era P&amp;B?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Era. E eu mesmo revelava. Sempre tive laborat\u00f3rio em casa.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Hoje em dia as pessoas n\u00e3o fotografam mais por causa do v\u00eddeo. O acesso aos caras era atrav\u00e9s de fotografia. Hoje eles passam direto na TV. O videoclipe meio que matou esse desejo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Eu acho que a aus\u00eancia de gente registrando show \u00e9 como a aus\u00eancia de gente registrando qualquer outra coisa. Antigamente voc\u00ea sempre via gente fotografando na rua.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E em que momento voc\u00ea come\u00e7ou a publicar essas fotos?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Em 73 eu fui para Londres. E da\u00ed v\u00e1rias fotos minhas sairam em v\u00e1rios lugares, Jornal de M\u00fasica, aquela revista da Abril, a Som Tr\u00eas\u2026<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E quais os shows da safra 73 que voc\u00ea pegou em Londres?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Vi Genesis, The Who, porrada de bandas\u2026<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0O que voc\u00ea curtia mais na \u00e9poca?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Essas coisas de rock and roll tipo Humble Pie, meio blue, nunca gostei de rock progresivo. Em 74 eu viajei de novo pra Londres e come\u00e7ei a fotografar e escrever direto pro Jornal de M\u00fasica. Eu escrevia muito. Todas aquelas biografias Jeff Beck, Traffic, Edgard Winter. A partir d\u00e1i eu come\u00e7ei a fotografar direto, pra tudo que \u00e9 jornal, revista\u2026<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Grande imprensa tamb\u00e9m?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Tamb\u00e9m , mas sempre como free-lancer. E a\u00ed, em 83 eu fiz a primeira capa para os Paralamas (Cinema Mudo) e come\u00e7ei a fotografar v\u00e1rias capas de discos. Mas continuava fazendo trabalhos para a imprensa. Trabalhei na Revista de Domingo no primeiro ano da sua exist\u00eancia\u2026e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea j\u00e1 mostrou esses trabalhos numa exposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Nunca quis fazer exposi\u00e7\u00e3o. Eu j\u00e1 tive uma exposi\u00e7\u00e3o fechada no MIS (1978, sob dire\u00e7\u00e3o de Ana Maria Bahiana) e faltando duas semanas pra inaugurar, o cat\u00e1logo dan\u00e7ou. Eu n\u00e3o vejo sentido uma exposi\u00e7\u00e3o de fotografia com gente bebendo, falando e que n\u00e3o tenha aquilo no papel.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E n\u00e3o ser que voc\u00ea queira vender.<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0\u00c9, mas eu nunca quis vender minhas fotos. Sou super ciumento.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E fazer um livro?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Livro \u00e9 uma coisa que eu quero fazer. Eu j\u00e1 tive com um livro dos Paralamas pronto para ser impresso e acabou dando para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Aquele neg\u00f3cio que t\u00e1 no P\u00f3lvora \u00e9 um ensaio de um livro.<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0\u00c9 quase um livro. Eu sempre tive vontade de fazer um livro. Mas nunca corri atr\u00e1s. Eu acho que a fotografia tem sentido em livro, impressa.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Desde essa \u00e9poca voc\u00ea fotografa com a mesma c\u00e2mera, voc\u00ea tem alguma m\u00e1quina com valor sentimental?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Eu nunca fui ligado nessa coisa de m\u00e1quina. Sempre tive a mesma m\u00e1quina Pentax. O desenvolvimento tecnol\u00f3gico, correr atr\u00e1s de modelos novos, isso n\u00e3o me interessa.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Mas \u00e9 a mesma m\u00e1quina desde os anos 70?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Eu tenho essa que \u00e9 a minha primeira m\u00e1quina, que eu uso at\u00e9 hoje. E tenho uma Pentax MX que tinha um motorzinho que eu usei um m\u00eas e nunca mais.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/02-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto de Maur\u00edcio Valladares - Rio de Janeiro, 1976\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/02-1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"290\" \/><\/a><\/p>\n<p>Maur\u00edcio Valladares \u2013 Rio de Janeiro, 1976<\/p>\n<p><strong>RADIO DAYS<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Carioca:\u00a0<\/strong>Como foi a passagem da fotografia para o r\u00e1dio. Voc\u00ea teve alguma experi\u00eancia radiof\u00f4nica antes da Fluminense?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Eu sempre curti r\u00e1dio, mas unca tinha pensado em fazer alguma coisa at\u00e9 a Fluminense, em 82. L\u00e1 n\u00e3o tinha ningu\u00e9m com experi\u00eancia de r\u00e1dio al\u00e9m do Luiz Ant\u00f4nio Melo. A equipe eram alguns amigos dele que gostavam de m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E era tudo na brodagem?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Eu nunca ganhei dinheiro. Ganhava a grana da gasolina at\u00e9 Niter\u00f3i.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0A Fluminense foi uma refer\u00eancia essencial pra gente durante muito tempo. Em que momento a coisa come\u00e7ou a ir pro vinagre?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Em 85. Enquanto eu, a Liliane Yusim e o S\u00e9rgio Vasconcellos, batalh\u00e1vamos para tocar Plebe Rude, Obina Shock, U2 e Gregory Issacs, o outro lado queria tocar Supertramp, \u00c1gua Brava, Deep Purple e James Taylor.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Mas no in\u00edcio era assim?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Sempre teve. At\u00e9 que em 85, todas as coisas que a gente ralava pra se tornar populares, j\u00e1 come\u00e7avam a tocar em outras r\u00e1dios. O exemplo disso doi o U2. O Andr\u00e9 Midani foi pra Nova York em 85 e trouxe um disco do U2 ou v\u00eddeo, sei l\u00e1. E quem fez a promo\u00e7\u00e3o foi a Cidade e n\u00e3o a Fluminense. A\u00ed eu falei: \u201cVem c\u00e1 gente boa, o que a gente t\u00e1 fazendo, as outras tamb\u00e9m est\u00e3o. A gente precisa fazer uma coisa que as outras venham a fazer daqui a dois anos. Tem que armar um outro caminho\u201d.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0A Fluminense era um \u00f3asis. As r\u00e1dios eram muito chatas. E o legal que j\u00e1 tinham uma s\u00e9rie de bandas legais rolando l\u00e1 fora. A foi ela que tocou tudo, Thompson Twins\u2026<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Isso \u00e9 uma coisa engra\u00e7ada. Hoje se voc\u00ea pegar qualquer pessoa no Rio e perguntar: \u201cO que foi a Fluminense?\u201d Ela vai dizer: \u201cFluminense foi uma r\u00e1dio do caralho, lan\u00e7ou Paralamas, tocava Gregory Issacs, Lee Perry\u2026Mas n\u00e3o era isso. A Fluminense tocava Supertramp, James Taylor. A excess\u00e3o se tornou, na hist\u00f3ria, a imagem da r\u00e1dio. A Fluminense nunca tocou, por ela, Thompson Twins. Isso era uma briga minha, da Liliane, do Serginho. Outro dia eu ouvi o Barone dizer na MTV: \u201cA Flu era a r\u00e1dio que tocava Specials\u201d. Tocava entre 500 outras merdas. A\u00ed, em 85, eu disse que a gente precisava de um projeto diferente. E a gente pensou em fazer uma r\u00e1dio de black music. O caminho era da m\u00fasica negra.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Eu me lembro dessa discuss\u00e3o de que o futuro era negro. O Hermano Vianna levantou essa bola naquele espa\u00e7o estrelado que rolava no Caderno B de sexta-feira.<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o a gente pensou em mudar a programa\u00e7\u00e3o em 70%. De Aretha Franklin a Fela Kuti e m\u00fasica brasileira. A\u00ed um dia eu vejo o Alex Mariano fazendo o que seria a nova programa\u00e7\u00e3o: Genesis pra l\u00e1, James Taylor pra c\u00e1, um Issac Hayes no meio, \u00c1gua Brava, Sangue da Cidade. Eu disse: \u201cAlex, n\u00e3o estou entendendo. Isso n\u00e3o leva a lugar nenhum\u201d. Ele disse que a programa\u00e7\u00e3o ia ser aquela, rolou uma pancadaria violenta. Depois, quando eu cheguei pra fazer o meu programa ele disse: \u201cN\u00e3o vai ter programa n\u00e3o\u201d. Ent\u00e3o foda-se. Fui embora. Outras pessoas tentaram fazer algumas coisas legais. Mas a r\u00e1dio entrou naquele esp\u00edrito de emburecimento das pessoas\u2026ROCK AND ROLLLLLL\u2026que n\u00e3o leva a lugar nenhum.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea tamb\u00e9m conseguiu influenciar as programa\u00e7\u00f5es das r\u00e1dios Panorama e Globo durante um certo tempo. At\u00e9 que ponto a mesmice das r\u00e1dios \u00e9 ignor\u00e2ncia dos pessoas ou o que rola \u00e9 grana, m\u00e1fia?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0\u00c9 ignor\u00e2ncia mesmo. O r\u00e1dio carioca est\u00e1 na m\u00e3o de pessoas, na maioria dos casos, como o futebol. O sonho do Caixa D\u2019\u00c1gua \u00e9 fazer uma final de camponato carioca, Flamengo X Vasco, em Volta Redonda \u00e0s 23 horas de um domingo. Sem ningu\u00e9m. Essas pessoas que dominam as r\u00e1dios n\u00e3o ouvem r\u00e1dio. Como a maioria absoluta das pessoas que trabalham com discos n\u00e3o compra discos. Se juntar 30 executivos do mercado fonogr\u00e1fico e dizer: \u201cQuem entrou numa loja pra comprar um disco nos \u00faltimos tr\u00eas meses levanta a m\u00e3o\u201d, vai ficar todo mundo de m\u00e3o abaixada. Assim como o CaixaD\u2019\u00e1gua faz um campeonato que n\u00e3o vai ningu\u00e9m, essa rapaziada faz r\u00e1dios que ningu\u00e9m ouve. Digo, uma r\u00e1dio de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma prestadora de servi\u00e7o como as AMs, que s\u00e3o do caralho. O cara que acabou com a Globo FM disse pra mim: \u201cP\u00f4 Maur\u00edcio, voc\u00ea mistura muitas coisas. Toca Nelson Gol\u00e7alves depois toca uma banda punk da Finl\u00e2ndia, n\u00e3o sei o qu\u00ea. Quando voc\u00ea toca uma coisa velha, deveria tocar Cris Montez\u201d. Falei, t\u00f4 fora. N\u00e3o fode. Um cara desse t\u00e1 preocupado com a 98 FM e n\u00e3o em fazer uma r\u00e1dio que a gente quer ouvir.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E a Globo continua em \u00faltimo lugar de aud\u00eancia. Se o cara t\u00e1 em \u00faltimo e n\u00e3o tem nada a perder, porque n\u00e3o bota logo pra fuder?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Porque n\u00e3o sabe botar pra fuder. Ningu\u00e9m t\u00e1 preocupado em fazer uma coisa nova.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Mas n\u00e3o faz porque n\u00e3o tem p\u00fablico ou n\u00e3o tem p\u00fablico porque ningu\u00e9m faz?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0As pessoas se acomodaram. Muita gente nem sabe se tem r\u00e1dio em casa. Olha o som e n\u00e3o sabe como ligar a FM. O r\u00e1dio virou um ser em extin\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea ouve no carro. E com fita e CD, t\u00e3o ouvindo cada vez menos. Porque n\u00e3o tem o que ouvir. \u00c9 tudo uma quest\u00e3o cultural. Eu tava lendo um encarte do disco do Jimi Hendix de grava\u00e7\u00f5es da BBC, que conta toda a hist\u00f3ria dessas grava\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, de Beatles a Pink Floyd. A maioria dos artistas quando gravaram na r\u00e1dio, n\u00e3o tinham disco. Era preocupa\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio de mostrar uma coisa nova.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/07.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto de Maur\u00edcio Valladares - Roma, 1981\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/07.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"271\" \/><\/a><\/p>\n<p>Maur\u00edcio Valladares \u2013 Roma, 1981<\/p>\n<p><strong>VOLTANDO A FOTOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Carioca:\u00a0<\/strong>Qual o fot\u00f3grafo que voc\u00ea pode dizer que te inspira?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Quando eu comecei a publicar as pessoas diziam que eu tinha um estilo parecido com dos fot\u00f3grafos no New Musical Express. Mas elas n\u00e3o sabiam que eles e eu, somos influenciados por outras pessoas como\u00a0<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20000201195021\/http:\/\/pathfinder.com\/Life\/essay\/country_doctor\/ed_note.html\" target=\"_blank\">Eugene Smith<\/a>. Ele era um cara da revista Life, que fazia aqueles ensaios fotogr\u00e1ficos dos anos 40, 50. Ele \u00e9 o minha maior influ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0E voc\u00ea acompanha a produ\u00e7\u00e3o de fotografia hoje, voc\u00ea compra livros?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0De vez em quando. Na \u00e9poca quando a fotografia era a coisa mais importante que eu tinha, eu comprei todos os livros que queria comprar. Durante muitos anos isso foi uma obsess\u00e3o. Uma vez eu fui na se\u00e7\u00e3o de fotografia do Museu Victoria Albert, onde eles tem originais de v\u00e1rios fot\u00f3grafos. A\u00ed voc\u00ea marca hora, bota uma luva\u2026e eu quase gozei quando peguei numa foto do\u00a0<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20000201195021\/http:\/\/www.citysearch7.com\/E\/E\/SFOCA\/0011\/66\/03\/\" target=\"_blank\">Paul Strand<\/a>\u00a0na minha frente. A maior emo\u00e7\u00e3o que eu j\u00e1 tive.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea disse \u201cquando a fotografia era a coisa mais importante\u201d. N\u00e3o \u00e9 mais desde quando?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0N\u00e3o, ela \u00e9 muito importante. Mas \u00e9 aquele neg\u00f3cio. Eu comi, comi, comi e estou satisfeito.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Mas voc\u00ea parou de fotografar?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0N\u00e3o, at\u00e9 que eu tenho fotografado bastante. Eu comprei uma maquininha pequena que me satisfaz. Eu n\u00e3o aguento mais carregar m\u00e1quina, andar com aquele trambolho na m\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Carioca:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea \u00e9 capaz de parar de fotografar ou voc\u00ea sente necessidade?<\/p>\n<p><strong>Valladares:<\/strong>\u00a0Eu sinto necessidade. Eu sempre estou olhando as coisas com olhar de fotografia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/15.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto de Maur\u00edcio Valladares - Ipanema, 1982\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/15.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/a><\/p>\n<p>Maur\u00edcio Valladares \u2013 Ipanema, 1982<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1273\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem na madrugada\u00a0MauVal\u00a0me mandou email com o\u00a0link da entrevista\u00a0abaixo q ele acabara de receber de um integrante da tucida RoncaRonca de Curitiba. O subject do email era\u00a0Lembra?, a resposta foi\u00a0Sim, claro. Como \u00e9 q vc achou isso?\u00a0Trata-se de um peda\u00e7o do Cariocnarede, site da Revista Ocarioca, q editei com Chacal, Waly Salom\u00e3o Bernardo Vilhena, Marcos &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1273\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1273"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1274,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1273\/revisions\/1274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}