{"id":1253,"date":"2012-07-13T23:25:15","date_gmt":"2012-07-13T23:25:15","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=1253"},"modified":"2012-07-13T23:25:39","modified_gmt":"2012-07-13T23:25:39","slug":"1253","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1253","title":{"rendered":"A arte n\u00e3o fala por si"},"content":{"rendered":"<p>Mais uma q eu peguei l\u00e1 no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/cultura\/2562302\/arte-nao-fala-por-si\" target=\"_blank\">site do Valor<\/a>.<\/p>\n<p>Por Bruno Yutaka Saito | de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-801-capa-d18.jpg\" rel=\"colorbox-image\"><img title=\"Pedro Carrilho\/Folhapress \/ Pedro Carrilho\/Folhapress\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/crop\/imagecache\/media_library_small_horizontal\/96\/0\/511\/335\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-801-capa-d18.jpg\" alt=\"Pedro Carrilho\/Folhapress \/ Pedro Carrilho\/Folhapress\" \/><\/a><\/div>\n<div>Adriana Varej\u00e3o em seu ateli\u00ea, no bairro do Horto, Rio; artista come\u00e7ou a se destacar nos anos 1990, conseguindo reconhecimento cr\u00edtico e batendo recorde no mercado<\/div>\n<p>Arte moderna = eu poderia fazer isso + sim, mas voc\u00ea n\u00e3o fez. Essa simples equa\u00e7\u00e3o, que se estende para a arte contempor\u00e2nea e reflete antigo preconceito, circula hoje em forma de piada nas redes sociais. No entanto, em um momento de incertezas econ\u00f4micas como o atual, em que o mercado de arte se torna mais atrativo para investidores, nem equa\u00e7\u00f5es de mentira d\u00e3o conta de simplificar uma realidade intrigante. O que faz uma obra atingir elevadas cifras em leil\u00f5es e vendas privadas? Como funciona o circuito que garante o reconhecimento de determinado artista?<\/p>\n<div>\n<div>Respostas para essas quest\u00f5es tornam-se ainda mais subjetivas quando se leva em conta que obras de artistas vivos est\u00e3o atualmente no foco dos donos do dinheiro. Em outro extremo do mercado, uma vers\u00e3o de &#8220;Jogadores de Cartas&#8221;, do franc\u00eas Paul C\u00e9zanne (1839-1906), foi adquirida por cerca de US$ 250 milh\u00f5es, estabelecendo um novo recorde para uma pintura, no ano passado. Ainda que pesem os interesses estrat\u00e9gicos dos compradores, a fam\u00edlia real do Qatar &#8211; cuja filha do emir, Sheikha Al-Mayassa, foi eleita recentemente a pessoa mais poderosa do mundo das artes, pela revista &#8220;Art Auction&#8221; -, e que o valor seja exagerado, a obra tem a seu favor a raridade e a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de seu autor.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas, quando se fala em artista vivo valorizado, \u00e9 necess\u00e1rio lembrar que diferentes inst\u00e2ncias se beneficiam de uma produ\u00e7\u00e3o em ritmo constante. No caminho para se chegar &#8220;l\u00e1&#8221;, o artista passa por um processo informal conhecido como valida\u00e7\u00e3o. O &#8220;l\u00e1&#8221; pode ser o mercado ou o reconhecimento cr\u00edtico e institucional, \u00e1reas que nem sempre se cruzam. Em qualquer um dos casos, diferentes personagens das artes precisam dar uma esp\u00e9cie de selo de aprova\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 um sistema muito complexo. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 uma ou duas pessoas que decidem. Um n\u00famero extenso de plataformas de visibilidade e de fatores \u00e9 que determina a valida\u00e7\u00e3o de um artista&#8221;, afirma Adriano Pedrosa, que recentemente foi curador da 12\u00aa Bienal de Istambul, ao lado do americano nascido na Costa Rica Jens Hoffmann.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong><cite dir=\"ltr\">&#8220;Voc\u00ea pode queimar um artista se decidir lan\u00e7\u00e1-lo no mercado prematuramente. \u00c9 necess\u00e1rio usar o fator tempo&#8221;, diz o galerista Thomas Cohn<\/cite><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A ideia rom\u00e2ntica de que talentos natos n\u00e3o precisam concluir uma faculdade de artes n\u00e3o tem muito espa\u00e7o na realidade atual, apesar do sucesso de brasileiros como Leonilson (1957-1993), que n\u00e3o chegou a se formar. A inexist\u00eancia de uma institui\u00e7\u00e3o nos moldes da CalArts (California Institute of the Arts, nos EUA) \u00e9 uma das peculiaridades do circuito brasileiro, acredita a escritora e soci\u00f3loga canadense Sarah Thornton, que aborda o mercado de arte em publica\u00e7\u00f5es como &#8220;The Economist&#8221; e &#8220;The Guardian&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em um dos cap\u00edtulos do seu livro &#8220;Sete Dias no Mundo da Arte&#8221;, Sarah descreve uma aula que chega a durar 15 horas, em que alunos exp\u00f5em seus trabalhos para debates com colegas de sala e o professor. Com mais de 250 entrevistados, o livro descreve sete diferentes inst\u00e2ncias percorridas por um artista: leil\u00e3o, escola, bienal, m\u00eddia, ateli\u00ea, feira e premia\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A faculdade, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 apenas o local onde o aluno aprende os fundamentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos da arte. \u00c9, tamb\u00e9m, onde o candidato a artista far\u00e1 os seus primeiros contatos profissionais. Foi na Goldsmiths College onde o &#8220;blockbuster&#8221; Damien Hirst conheceu colegas do grupo que ficou conhecido como Young British Artists, em fins dos anos 1980. M\u00e1rcia Fortes, da galeria Fortes Vila\u00e7a, em S\u00e3o Paulo, diz que foi em uma visita \u00e0 tradicional exposi\u00e7\u00e3o Anual de Artes da Faap (exposi\u00e7\u00e3o dos formandos da faculdade) que conheceu a artista Marina Rheingantz e seu trabalho. Hoje, ela \u00e9 representada pela galeria, ao lado de nomes estabelecidos como Beatriz Milhazes e Adriana Varej\u00e3o. &#8220;O artista, hoje, acaba tendo que fazer networking. \u00c9 quase uma regra ele ir \u00e0 abertura de uma exposi\u00e7\u00e3o com seus trabalhos. Mas o mais importante deveria ser a obra. Ela deveria falar por si s\u00f3&#8221;, afirma Sarah.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-802-capa-d18.jpg\" rel=\"colorbox-image\"><img title=\" \u00a0\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/crop\/imagecache\/media_library_small_horizontal\/0\/285\/755\/493\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-802-capa-d18.jpg\" alt=\" \u00a0\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pernambucano radicado no Rio, o artista Tunga tem trajet\u00f3ria anterior ao boom dos anos 2000; carreira inclui participa\u00e7\u00f5es na Bienal de Veneza e na Documenta de Kassel<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mostras como o Rumos Ita\u00fa Cultural, Panorama da Arte Brasileira (no MAM-SP) e o Sal\u00e3o Nacional de Arte de Belo Horizonte\/Bolsa Pampulha s\u00e3o espa\u00e7os coletivos importantes para os novos artistas. &#8220;S\u00e3o museus participando desse in\u00edcio, onde nomes ainda n\u00e3o inseridos s\u00e3o apresentados ao circuito. \u00c9 um primeiro momento, institucional, em que o artista atua por si s\u00f3&#8221;, diz M\u00e1rcia. &#8220;Os galeristas e curadores antenados circulam nesses locais.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Descobrir&#8221; um novo talento \u00e9 glorioso em praticamente todas as \u00e1reas da cultura, mas h\u00e1 um sabor extra nas artes pl\u00e1sticas. Mundo afora, n\u00e3o faltam relatos de colecionadores que se gabam daquela obra de artista em in\u00edcio de carreira adquirida por uma pechincha. \u00c9 famoso o caso do ator e colecionador Dennis Hopper (1936-2010), que, nos anos 1960, comprou por US$ 75 uma das pinturas de sopa Campbell de Andy Warhol (1928-1987). H\u00e1 in\u00fameras varia\u00e7\u00f5es do trabalho cujos valores hoje ultrapassam a faixa do US$ 1 milh\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00e3o perspectivas positivas como essa que estimularam o surgimento, em 2010, do Brazil Golden Art, fundo de investimento pioneiro no pa\u00eds. Artistas ainda n\u00e3o consagrados, mas com alto potencial de valoriza\u00e7\u00e3o, est\u00e3o no foco. Heitor Reis, que j\u00e1 foi diretor do MAM &#8211; Bahia, \u00e9 hoje gestor do fundo e conta que entre 10% e 15% das obras adquiridas s\u00e3o &#8220;blue chips&#8221;. Atualmente, o fundo tem 300 obras de 200 artistas brasileiros contempor\u00e2neos. &#8220;Cerca de 80% da nossa cole\u00e7\u00e3o s\u00e3o &#8216;small caps&#8217;. Esses artistas n\u00e3o consagrados ser\u00e3o o grande acerto do nosso fundo&#8221;, acredita Reis. Com um patrim\u00f4nio de R$ 40 milh\u00f5es, o BGA j\u00e1 est\u00e1 fechado em 70 investidores (a cota m\u00ednima era de R$ 100 mil). O fundo pretende montar uma cole\u00e7\u00e3o com mil obras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o h\u00e1 regras para as escolhas de curadores e galeristas. Tudo depende de olhares individuais. &#8220;Meu interesse \u00e9 pesquisar e disseminar artistas fora do eixo do Atl\u00e2ntico Norte e da Europa: um Sul ampliado, o antigo Terceiro Mundo&#8221;, explica Adriano Pedrosa. Galerista pioneiro no Brasil dos anos 1980, Thomas Cohn ajudou a lan\u00e7ar nomes como Leonilson e Adriana Varej\u00e3o e diz que, em muitos casos, levou apenas cinco minutos para ver potencial em uma obra. &#8220;\u00c0s vezes, voc\u00ea v\u00ea o talento, mas ainda verde. \u00c9 necess\u00e1rio usar, ent\u00e3o, o fator tempo. Voc\u00ea pode queimar um artista se decidir lan\u00e7\u00e1-lo no mercado prematuramente. A sutileza vem com a experi\u00eancia&#8221;, diz Cohn, que anunciou o fechamento de sua galeria (ele ir\u00e1 abrir uma relojoaria com pe\u00e7as feitas por artistas, designers e arquitetos).<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong><cite dir=\"ltr\">&#8220;Mercado de arte \u00e9 atrelado \u00e0 economia. No momento em que o Brasil bombou, sendo a bola da vez, surgiram mais investidores&#8221;, diz gestor de fundo<\/cite><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para M\u00e1rcia e Cohn, o galerista tem tamb\u00e9m fun\u00e7\u00e3o de cr\u00edtico e conselheiro, sempre atento ao desenvolvimento do trabalho do seu artista. \u00c9 uma atualiza\u00e7\u00e3o da imagem cl\u00e1ssica e secular do mecenas. &#8220;Artista sozinho com seu trabalho, por mais talentoso que seja, n\u00e3o chega a lugar nenhum. O circuito institucional, de museus, n\u00e3o vai garantir sua sobreviv\u00eancia&#8221;, diz M\u00e1rcia, para quem um artista de peso relevante deve ter representa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m nos EUA, na Europa e na \u00c1sia. Muitos artistas, conforme v\u00e3o vendo sua cota\u00e7\u00e3o subir, trocam de galerista. &#8220;Para n\u00f3s \u00e9 ruim lan\u00e7ar, fazer um esfor\u00e7o danado, come\u00e7ar com valores baixos, atingir determinado ponto e o artista se despedir dele&#8221;, afirma Cohn. &#8220;\u00c9 como se ele dissesse: &#8216;Bom, voc\u00ea j\u00e1 me serviu de escada, agora me despe\u00e7o porque preciso chegar a outro patamar&#8217;. Antes de mais nada, artistas s\u00e3o seres humanos, com desejos pessoais.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Participar de uma importante exposi\u00e7\u00e3o internacional quase sempre garante uma valida\u00e7\u00e3o, ao menos institucional. Bienal de Veneza, Documenta de Kassel, al\u00e9m da Bienal de S\u00e3o Paulo e a de Istambul, s\u00e3o algumas das principais. No passado, as participa\u00e7\u00f5es de Cildo Meireles, Jac Leirner, Jos\u00e9 Resende e Waltercio Caldas na Documenta de 1992 foram marcantes n\u00e3o apenas nas suas carreiras individuais, mas tamb\u00e9m etapa marcante no processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o dos artistas brasileiros. A partir dos anos 1990, o interesse estrangeiro pela arte latino-americana, al\u00e9m do retorno da democracia ao Brasil, ajudou na profissionaliza\u00e7\u00e3o do mercado nacional. J\u00e1 n\u00e3o seria t\u00e3o estranho ver obras de brasileiros em importantes cole\u00e7\u00f5es de museus como o MoMA (Museu of Modern Art, em Nova York) e a Tate, no Reino Unido.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Em tese, qualquer artista que \u00e9 adquirido pelo MoMA ganha um ponto muito elevado no circuito. Mas existem artistas que entraram na cole\u00e7\u00e3o do museu e nem por isso conseguiram ou demoraram muito para ser reconhecidos. [O brasileiro Alberto da Veiga] Guignard [1896-1962] \u00e9 um exemplo&#8221;, diz Tadeu Chiarelli, diretor do Museu de Arte Contempor\u00e2nea da Universidade de S\u00e3o Paulo (MAC-USP). &#8220;H\u00e1 artistas com uma valida\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria no mercado, seja em leil\u00e3o, seja em galeria, que s\u00e3o totalmente desprezados pelo circuito institucional&#8221;, afirma Adriano Pedrosa. Como exemplo, o curador cita o artista colombiano Fernando Botero, que, apesar de estar na cole\u00e7\u00e3o do MoMA e ser o artista latino-americano vivo recordista em leil\u00e3o (US$ 2,03 milh\u00e3o por pintura em 2006), n\u00e3o \u00e9 unanimidade entre a cr\u00edtica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-803-capa-d18.jpg\" rel=\"colorbox-image\"><img title=\"Leo Pinheiro\/Valor \/ Leo Pinheiro\/Valor\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/crop\/imagecache\/media_library_small_horizontal\/0\/188\/754\/493\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-803-capa-d18.jpg\" alt=\"Leo Pinheiro\/Valor \/ Leo Pinheiro\/Valor\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Beatriz Milhazes: primeira a chegar \u00e0 marca de US$ 1 milh\u00e3o em leil\u00e3o<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando o assunto \u00e9 venda negociada por galeristas, quantias elevadas podem at\u00e9 prejudicar a reputa\u00e7\u00e3o de um artista, caso o colecionador em quest\u00e3o n\u00e3o tiver boa fama no mercado. Atualmente, no Brasil, ter uma obra no Centro de Arte Contempor\u00e2nea Inhotim, em Brumadinho (MG), conta pontos positivos. Formado pela cole\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio Bernardo Paz, o espa\u00e7o exibe obras de brasileiros e estrangeiros consagrados, como Ernesto Neto e Matthew Barney. Numa recente lista da revista &#8220;ArtReview&#8221; com o ranking das cem pessoas mais poderosas do mundo das artes, Paz \u00e9 o \u00fanico brasileiro, em 76\u00ba lugar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Revistas especializadas e a cr\u00edtica s\u00e3o importantes nesse processo. A &#8220;Artforum&#8221;, nos EUA, e a &#8220;Frieze&#8221;, no Reino Unido, s\u00e3o as publica\u00e7\u00f5es que mais possuem for\u00e7a mundial na constru\u00e7\u00e3o da reputa\u00e7\u00e3o de um artista. Apesar de sua credibilidade ser constantemente questionada devido aos caros an\u00fancios das principais galerias mundiais em suas p\u00e1ginas, a &#8220;Artforum&#8221; tem papel de destaque no que deve ser levado a s\u00e9rio ou n\u00e3o no circuito. Damien Hirst, Jeff Koons e Takashi Murakami, a trindade que hoje alcan\u00e7a os maiores valores do mercado, embaralhando as fronteiras entre arte e a empresarializa\u00e7\u00e3o da arte, raramente t\u00eam estudos cr\u00edticos nas p\u00e1ginas da revista. Por outro lado, Adriana Varej\u00e3o recentemente foi tema de um longo artigo. Sua colega de gera\u00e7\u00e3o Rivane Neuenschwander, al\u00e9m de H\u00e9lio Oiticica (1937-1980), refer\u00eancia no processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o da arte brasileira, tamb\u00e9m est\u00e3o nessa restrita lista.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o h\u00e1, no Brasil, publica\u00e7\u00f5es com o mesmo peso, ainda que o fortalecimento do mercado gere uma demanda. Por isso, muitos profissionais que atuam no circuito apontam particularidades do colecionador local. &#8220;O Brasil tem um mercado provinciano e desinformado, muito ligado \u00e0 moda. O artista que se destaca \u00e9 o que aparece nas colunas sociais, e n\u00e3o aquele que est\u00e1 na cultura&#8221;, diz Celso Fioravante, editor do site\/informativo Mapa das Artes, que traz not\u00edcias e roteiros sobre o circuito de exposi\u00e7\u00f5es no Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Brasil, o mercado de arte \u00e9 relativamente novo, se for feita uma compara\u00e7\u00e3o com Europa ou Estados Unidos. Da gera\u00e7\u00e3o que se destacou nos anos 1990 chamam a aten\u00e7\u00e3o a carioca Adriana Varej\u00e3o, cuja tela &#8220;Parede com Incis\u00f5es \u00e0 La Fontana II&#8221; (2001) foi arrebatada por 1,1 milh\u00e3o de libras em leil\u00e3o na Christie&#8217;s de Londres no ano passado (maior valor j\u00e1 pago por obra de um artista brasileiro vivo), e Beatriz Milhazes. &#8220;O sucesso delas n\u00e3o foi da noite para o dia. N\u00e3o h\u00e1 um momento de virada. Elas est\u00e3o pintando h\u00e1 mais de 20 anos, est\u00e3o na labuta no ateli\u00ea. O que gerou esse sucesso? Foi todo um desenvolvimento de curr\u00edculo, diversas mostras institucionais&#8221;, diz M\u00e1rcia Fortes. &#8220;E temos que lembrar que esse 1 milh\u00e3o foi em um leil\u00e3o. Nem Adriana e nem a galeria viram a cor desse dinheiro.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-804-capa-d18.jpg\" rel=\"colorbox-image\"><img title=\"Daniel Wainstein\/Valor \/ Daniel Wainstein\/Valor\" src=\"http:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/crop\/imagecache\/media_library_small_horizontal\/0\/0\/737\/482\/sites\/default\/files\/gn\/12\/03\/foto09cul-804-capa-d18.jpg\" alt=\"Daniel Wainstein\/Valor \/ Daniel Wainstein\/Valor\" \/><\/a><\/div>\n<div>Thomas Cohn, galerista que trabalhou com Leonilson e Adriana Varej\u00e3o e est\u00e1 se retirando do mercado de artes<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O caso de Beatriz \u00e9 exemplar nesse circuito de valida\u00e7\u00e3o. Ela iniciou-se nas artes pl\u00e1sticas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, e, com a coletiva &#8220;Como Vai Voc\u00ea, Gera\u00e7\u00e3o 80?&#8221;, realizada no mesmo local em 1984, foi identificada como parte de um grupo que inclu\u00eda, entre v\u00e1rios outros, Leda Catunda, Daniel Senise. J\u00e1 nessa \u00e9poca, \u00e9 observada por curadores brasileiros como Paulo Herkenhoff e Ivo Mesquita, e iniciou participa\u00e7\u00f5es em exposi\u00e7\u00f5es internacionais na Am\u00e9rica Latina.<\/div>\n<div>Em 1995, Beatriz entrou no circuito mais badalado da arte, em exposi\u00e7\u00e3o no Carnegie Museum of Art, em Pittsburgh, EUA. No mesmo ano, come\u00e7ou a ser representada em Nova York por Edward Thorp, com quem fez sua primeira exposi\u00e7\u00e3o em galeria estrangeira &#8211; resultando em cr\u00edtica positiva no &#8220;The New York Times&#8221;. A partir da\u00ed, Beatriz circula com desenvoltura no circuito internacional, entrando na cole\u00e7\u00e3o de museus como o MoMA (EUA) e o Reina Sof\u00eda (Espanha). As participa\u00e7\u00f5es na Bienal de S\u00e3o Paulo (1998) e na Bienal de Veneza (2003) tamb\u00e9m s\u00e3o pontos altos da carreira da artista. No mercado, Beatriz fez hist\u00f3ria em 2008, quando se tornou a primeira artista brasileira viva a atingir a marca de US$ 1 milh\u00e3o (&#8220;O M\u00e1gico&#8221; foi vendida por US$ 1,049 mi na Sotheby&#8217;s, em Nova York).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O mercado de arte em expans\u00e3o no Brasil tem estimulado o surgimento de novas feiras. No ano passado, a primeira edi\u00e7\u00e3o da ArtRio teve um total de vendas de R$ 120 milh\u00f5es. Em S\u00e3o Paulo, a Parte apostou em galerias menores, com obras de jovens artistas com pre\u00e7os at\u00e9 R$ 15 mil. Fernanda Feitosa, diretora da principal feira de arte do Brasil, a SP-Arte, diz que o perfil do comprador mudou e est\u00e1 mais jovem, na casa dos 20 e poucos anos. Ela cita uma &#8220;sofistica\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o&#8221; e o papel dos cursos livres nessa mudan\u00e7a de perfil. Seguindo um mercado que existe no exterior, a Escola S\u00e3o Paulo, por exemplo, oferece cursos e palestras que ensinam o aluno a colecionar arte. &#8220;Mercado de arte \u00e9 atrelado \u00e0 economia. No momento em que o Brasil bombou, sendo a bola da vez, com o PIB crescendo, muita gente jovem chegando ao patamar dos ricos, com possibilidade de diversificar suas carteiras, surgiu essa tend\u00eancia de termos mais investidores e colecionadores&#8221;, afirma Heitor Reis.<\/div>\n<div>Cifras milion\u00e1rias em leil\u00f5es internacionais, no entanto, n\u00e3o est\u00e3o necessariamente relacionadas a esse bom momento da arte brasileira. Profissionais da \u00e1rea lembram que leil\u00f5es s\u00e3o pontuais, guiados pela emo\u00e7\u00e3o e pela press\u00e3o psicol\u00f3gica e, por isso, servem como valida\u00e7\u00e3o apenas mercadol\u00f3gica. De olho nas &#8220;possibilidades&#8221; que est\u00e3o se abrindo no Brasil, a tradicional casa de leil\u00f5es Sotheby&#8217;s recentemente abriu um escrit\u00f3rio no pa\u00eds. Para Katia Mindlin Leite Barbosa, presidente da Sotheby&#8217;s Brasil, o interesse do mercado por arte contempor\u00e2nea responde a uma simples equa\u00e7\u00e3o: &#8220;Existe mais demanda para esse segmento porque a oferta de arte moderna e impressionistas est\u00e1 diminuindo no mercado&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 2011, a Sotheby&#8217;s teve o segundo melhor resultado em sua hist\u00f3ria, com um total consolidado de vendas de US$ 5,8 bilh\u00f5es. A concorrente Christie&#8217;s teve US$ 5,7 bi em vendas e anunciou um crescimento de 27% (em d\u00f3lares) no setor de arte contempor\u00e2nea. Essa explos\u00e3o, claro, n\u00e3o vem apenas de um amor s\u00fabito por arte dos grandes compradores. Segundo o jornal &#8220;Financial Times&#8221;, em uma pesquisa da Family Bhive, esp\u00e9cie de rede social de milion\u00e1rios, entre mais de 70 banqueiros e gestores de investimento internacionais, arte foi identificada como o ativo com melhores chances de retorno em 2012. &#8220;Obra de arte n\u00e3o vira p\u00f3 como as a\u00e7\u00f5es. Na pior das hip\u00f3teses, voc\u00ea continua usufruindo o prazer de ser dono da obra&#8221;, diz Katia, da Sotheby&#8217;s.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao menos em leil\u00f5es, os crit\u00e9rios na determina\u00e7\u00e3o de um pre\u00e7o s\u00e3o subjetivos, ditados por especialistas pr\u00f3prios, e n\u00e3o pelo vendedor. &#8220;Quando um artista chega \u00e0 Sotheby&#8217;s, j\u00e1 se pressup\u00f5e que ele tenha certa bagagem, uma rede de colecionadores, &#8216;dealers&#8217;, de pessoas interessadas, que ajudam a movimentar o mercado&#8221;, diz Katia. Fatores como a reputa\u00e7\u00e3o do artista, a fase correspondente da obra, vendas anteriores de trabalhos parecidos s\u00e3o levados em conta no estabelecimento do pre\u00e7o. &#8220;Temos uma express\u00e3o que s\u00e3o os &#8216;compar\u00e1veis&#8217;, que v\u00e3o dar o par\u00e2metro para aquela avalia\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma K\u00e1tia. Heitor Reis, do fundo de investimentos BGA, diz que \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho de acompanhamento do mercado de arte para determinar quais obras ir\u00e1 comprar. &#8220;Fazemos prospec\u00e7\u00e3o o tempo todo, indo a ateli\u00eas, conversando com os formadores de opini\u00e3o, diretores de museus, cr\u00edticos. Tudo isso proporciona a valoriza\u00e7\u00e3o de um artista&#8221;, afirma. Empolgado, Reis diz que o potencial de valoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 vari\u00e1vel, mas pode chegar a otimistas 300 e 500% acima do CDI.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A aposta no novo e incerto \u00e9 grande, e distor\u00e7\u00f5es podem surgir. &#8220;O mercado est\u00e1 dando as regras. Isso coloca em risco a produ\u00e7\u00e3o e a qualidade dos artistas&#8221;, afirma Andr\u00e9 Millan, da Galeria Millan. Quando se compara a r\u00e1pida aceita\u00e7\u00e3o pelo mercado de jovens rec\u00e9m-sa\u00eddos da faculdade com veteranos como Tunga, Cildo Meireles ou Waltercio Caldas, que levaram anos, nota-se uma acelera\u00e7\u00e3o que reflete uma demanda &#8220;inconsequente&#8221;, segundo o galerista. &#8220;N\u00e3o se sabe se essa produ\u00e7\u00e3o de hoje existir\u00e1 daqui a dez anos. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem lastro&#8221;, diz Millan. H\u00e1 anos no circuito, Tadeu Chiarelli aponta mudan\u00e7as no cen\u00e1rio brasileiro. Para ele, h\u00e1 uma certa &#8220;banaliza\u00e7\u00e3o&#8221; de certas profiss\u00f5es, como a de curador, profiss\u00e3o que tamb\u00e9m passa por um &#8220;boom&#8221; de novos nomes. Outra mudan\u00e7a, aponta, \u00e9 o pouco interesse de muitos jovens artistas, rec\u00e9m-sa\u00eddos da faculdade, mas j\u00e1 em importantes galerias, em doar obras a museus, tradicionalmente vistos como ponto culminante no reconhecimento art\u00edstico. &#8220;A grande confus\u00e3o no Brasil hoje \u00e9: acredita-se que arte boa \u00e9 aquela que est\u00e1 no mercado. Os colecionadores confiam muito no mercado. N\u00e3o existe a pondera\u00e7\u00e3o, a clareza de que \u00e9 necess\u00e1rio um tempo. O tempo da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, do amadurecimento, \u00e9 um pouco mais lento que o do mercado.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quando acertam em suas escolhas, cr\u00edticos e curadores s\u00e3o celebrados como vision\u00e1rios; galeristas e leiloeiros ganham de forma literal; museus emprestam e ganham credibilidade ao adquirir obras. Uma vez que os crit\u00e9rios para a valida\u00e7\u00e3o de um artista s\u00e3o fluidos, n\u00e3o seriam poss\u00edveis manipula\u00e7\u00f5es? Sarah Thornton acredita que fen\u00f4menos assim n\u00e3o podem ser criados, como acontece na ind\u00fastria musical &#8211; que rotineiramente cria &#8220;boy bands&#8221;. &#8220;Voc\u00ea pode mentir uma ou duas vezes, mas voc\u00ea n\u00e3o pode convencer uma multid\u00e3o por muito tempo&#8221;, diz Sarah. Ainda que sejam muitos os atores no processo, apenas um \u00e9 determinante e real, tanto do ponto de vista mercadol\u00f3gico quanto cr\u00edtico: o tempo.<\/div>\n<\/div>\n<p><em>publicado no velho\u00a0<a href=\"http:\/\/www.raulmourao.blogspot.com.br\/\">b\u00aeogspot<\/a>\u00a0em 12\/3\/2012<\/em><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1253\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma q eu peguei l\u00e1 no\u00a0site do Valor. Por Bruno Yutaka Saito | de S\u00e3o Paulo Adriana Varej\u00e3o em seu ateli\u00ea, no bairro do Horto, Rio; artista come\u00e7ou a se destacar nos anos 1990, conseguindo reconhecimento cr\u00edtico e batendo recorde no mercado Arte moderna = eu poderia fazer isso + sim, mas voc\u00ea n\u00e3o &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1253\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1253"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1253"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1255,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1253\/revisions\/1255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}