{"id":1142,"date":"2012-01-03T02:06:00","date_gmt":"2012-01-03T02:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=1142"},"modified":"2012-07-13T00:58:03","modified_gmt":"2012-07-13T00:58:03","slug":"a-maior-escultura-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1142","title":{"rendered":"A maior escultura da Terra"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/christo-javacheff-christo-vlad-the-mastaba-of-abu-dhabi-proje-2901503.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1216\" title=\"christo-javacheff-christo-vlad-the-mastaba-of-abu-dhabi-proje-2901503\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/christo-javacheff-christo-vlad-the-mastaba-of-abu-dhabi-proje-2901503.jpg\" alt=\"\" width=\"437\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/christo-javacheff-christo-vlad-the-mastaba-of-abu-dhabi-proje-2901503.jpg 437w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/christo-javacheff-christo-vlad-the-mastaba-of-abu-dhabi-proje-2901503-262x300.jpg 262w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/a><\/div>\n<div>Saiu hoje no segundo caderno a entrevista abaixo com Christo que eu peguei l\u00e1 no\u00a0<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/christo-javacheff-finaliza-maior-escultura-da-terra-em-abu-dhabi-3548320\">site do Globo<\/a>.<\/div>\n<p>RIO &#8211; Aos 76 anos de idade e vi\u00favo h\u00e1 dois, o artista americano de origem b\u00falgara Christo Javacheff trabalha para erguer em Abu Dhabi, nos Emirados \u00c1rabes, aquela que, segundo diz, ser\u00e1 &#8220;a maior e provavelmente a mais cara escultura da Terra&#8221;. &#8220;The Mastaba&#8221;, estrutura que se resume a uma pilha de barris de petr\u00f3leo com 150 metros de altura e que foi idealizada em 1977 com a ajuda de sua mulher, Jeanne-Claude Denat (1935-2009), est\u00e1 perto de sair do papel. Valores ele n\u00e3o cita, mas afirma j\u00e1 ter petrod\u00f3lares suficientes (conseguidos com a venda dos desenhos do projeto). S\u00f3 aguarda autoriza\u00e7\u00e3o oficial para come\u00e7ar. Enquanto disso, Christo obteve sinal verde do governo americano para cobrir 60 quil\u00f4metros de um rio no Colorado, com a instala\u00e7\u00e3o &#8220;Over the river&#8221; \u2014 outro sonho de sua mulher, engavetado desde 1985. Ao GLOBO, o artista fala de sua rotina solit\u00e1ria e atri$e diz que n\u00e3o vem ao Brasil porque aqui n\u00e3o compram sua arte.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" title=\"Os artistas Christo e Jeanne Claude\" src=\"http:\/\/www.arquitetonico.ufsc.br\/wp-content\/uploads\/Christo-e-Jeanne-Claude.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"396\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>O senhor idealizou &#8220;The Mastaba&#8221; em 1977 para ser &#8220;a maior escultura da Terra&#8221;. Ela sai? Como ficou o projeto?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chisto:\u00a0Estou muito, muito, muito otimista com &#8220;The Mastaba&#8221;. Est\u00e1 num est\u00e1gio superavan\u00e7ado. Acabo de chegar de Abu Dhabi, onde me reuni com nossos engenheiros e com representantes do governo local para conseguir as autoriza\u00e7\u00f5es que ainda nos faltam. Estou muito animado. Vem a\u00ed n\u00e3o s\u00f3 a maior escultura do planeta como aquela que provavelmente tamb\u00e9m ser\u00e1 a mais cara. Ser\u00e3o 410 mil barris de petr\u00f3leo coloridos e empilhados horizontalmente, formando uma estrutura de mais de 150 metros de altura \u2014 mais alta do que a pir\u00e2mide de Qu\u00e9ops (Egito).<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>E quantos petrod\u00f3lares custar\u00e1?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Alguns (risos), mas ainda n\u00e3o posso falar disso. O que posso dizer \u00e9 que, como em nossos outros projetos, n\u00e3o haver\u00e1 patroc\u00ednio. \u00c9 dinheiro nosso, obtido com a venda de desenhos e esbo\u00e7os que sempre fazemos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Mas a ideia \u00e9 desmontar &#8220;The Mastaba&#8221; depois de duas ou tr\u00eas semanas, como foi feito com os outros projetos?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o. N\u00e3o! &#8220;The Mastaba&#8221; n\u00e3o ser\u00e1 desfeito. Se Jeanne-Claude estivesse viva, diria que n\u00e3o h\u00e1 nada que dure para sempre, mas neste caso acho que vai durar sim.<\/div>\n<div>O senhor toca outro projeto simultaneamente a &#8220;The Mastaba&#8221;, certo?<\/div>\n<div>\u00c9 o &#8220;Over the river&#8221;, que come\u00e7ou em 1992 e s\u00f3 agora obteve a autoriza\u00e7\u00e3o do governo americano. Vamos cobrir 62 quil\u00f4metros do rio Arkansas, no Colorado, com um tecido transl\u00facido prateado. Pela primeira vez na Hist\u00f3ria, o Minist\u00e9rio do Interior emitiu um relat\u00f3rio de impacto ambiental para uma obra de arte. S\u00e3o mais de 1.600 p\u00e1ginas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Tem data para ficar pronto?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na melhor das hip\u00f3teses, em 2014. Fica no alto das Montanhas Rochosas, e ainda precisamos da autoriza\u00e7\u00e3o de dois condados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Eles podem n\u00e3o dar?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o. S\u00f3 t\u00eam que processar os pap\u00e9is do minist\u00e9rio. &#8220;Over the river&#8221; sai de qualquer jeito.<\/div>\n<div>Em 50 anos, foram 22 projetos. Deles, s\u00f3 existem fotos&#8230;<\/div>\n<div>Isso \u00e9 exatamente o que torna nossa obra \u00fanica. Proporcionamos momentos pontuais que lembram, ao mundo que tudo copia, que as coisas s\u00e3o ef\u00eameras. Queremos propiciar momentos singulares, e isso desperta a curiosidade de muita gente. N\u00e3o haver\u00e1 outro Reichstag ou outra Pont Neuf embrulhados&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Por que n\u00e3o h\u00e1 patroc\u00ednio?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Porque queremos liberdade total. Nenhuma empresa pode comprar nossas ideias, e todas as imagens de nossos projetos t\u00eam registro de patente e direito autoral. Apesar de tentarem por a\u00ed, n\u00e3o podem ser exploradas.<\/div>\n<div>\n<p><strong>Tentam?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div>Sim. Processamos v\u00e1rias empresas pelo uso de fotos de nossas instala\u00e7\u00f5es. Quando alugamos um lugar, tomamos todos os cuidados para impedir que ele sirva a outros prop\u00f3sitos comerciais. Quando fomos ao Reichstag, alugamos tudo num raio de um quil\u00f4metro. Quando pagamos US$ 3 milh\u00f5es para usar o Central Park, nenhum evento poderia acontecer l\u00e1 ao mesmo tempo. O parque era nossa propriedade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Como \u00e9 ser dono do Central Park, da Pont Neuf&#8230;?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>D\u00e1 muito trabalho (risos). Somos respons\u00e1veis por limpeza, seguran\u00e7a, retirada de neve&#8230; Por isso, 15 dias \u00e9 o tempo ideal para uma instala\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Algum projeto deu errado?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tivemos duas mortes no &#8220;The umbrellas&#8221;. Uma sombrinha voou e matou uma mulher na Calif\u00f3rnia. No Jap\u00e3o, um dos 2.200 funcion\u00e1rios foi eletrocutado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Por que tecidos? Como escolhe as cores de seus trabalhos?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os tecidos interagem bem com o vento, s\u00e3o sensuais. Escolhemos as cores depois de fazer testes no local, por isso elas nunca aparecem nos esbo\u00e7os.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O senhor ainda fala na primeira pessoa do plural&#8230;<\/div>\n<div>Os dois projetos em que trabalho hoje em dia s\u00e3o de Jeanne-Claude tamb\u00e9m. Tudo ao meu redor \u00e9 dela tamb\u00e9m&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Desde que ficou vi\u00favo, teve novas ideias de instala\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de pensar em mais nada. &#8220;The Mastaba&#8221; e &#8220;Over the river&#8221; sugam uma quantidade enorme de energia e dinheiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Nada para o Brasil?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o. S\u00f3 vou a lugares que pagam pela minha arte, quer dizer, onde consigo vender desenhos e bancar meus projetos. J\u00e1 tentei levar exposi\u00e7\u00f5es ao Brasil, mas sempre me alegaram falta $dinheiro. Aos 76 anos, n\u00e3o gasto nem um minuto com o que n\u00e3o \u00e9 arte. N\u00e3o tenho rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico de arte da\u00ed e acho que nenhum museu tem trabalhos meus.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>O senhor volta ao local em que fez instala\u00e7\u00f5es? Como \u00e9?<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 2007, fomos \u00e0 Austr\u00e1lia. Do alto dos penhascos que hav\u00edamos coberto, vendo tubar\u00f5es no mar, Jeanne-Claude resumiu tudo: &#8220;\u00c9, est\u00e1vamos loucos.&#8221;<\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=1142\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiu hoje no segundo caderno a entrevista abaixo com Christo que eu peguei l\u00e1 no\u00a0site do Globo. 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